Quatro atrizes acima dos 60 interpretam Clarice, e os homens entram de smoking e máscara de peixe
"Projeto Clarice", com adaptação e direção de Cesar Ribeiro, reúne Clara Carvalho, Magali Biff, Mariana Muniz e Vera Zimmermann em cinco contos de Clarice Lispector, com cenografia de J. C. Serroni.
Restam três sessões no Teatro Paulo Eiró, até domingo, 8 de novembro, com ingressos a R$ 20 e R$ 10.
Quatro atrizes com mais de 60 anos conduzem o espetáculo. Os personagens masculinos aparecem de smoking preto e máscara de peixe, numa representação de masculinidade sem rosto, em referência a “A Mulher que Matou os Peixes”, livro infantil de Clarice Lispector.
“Projeto Clarice” está na última semana de temporada no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro. Restam três apresentações: nesta sexta, 6, e no sábado, 7, às 20h, e no domingo, 8, às 19h. Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia.
Cinco contos
A montagem adapta “Via Crucis”, “Menino a Bico de Pena”, “A Legião Estrangeira”, “Amor” e “O Ovo e a Galinha”, e trata de identidade, subjetividade, alteridade, família e afetos a partir de situações aparentemente banais.
“Essas histórias falam de questões cotidianas a partir da epifania, do monólogo interior e da relação feminino-masculino”, diz Cesar Ribeiro, que assina adaptação, direção e trilha sonora.
A adaptação foi construída a partir das características de cada intérprete. “A construção das transformações ou indagações de cada personagem procura traduzir para o corpo aquilo que Clarice expressa por meio das palavras”, afirma o diretor.
A pesquisa do diretor
O espetáculo dá continuidade a uma investigação de Ribeiro sobre sistemas de violência e distopia, iniciada em trabalhos anteriores como a “Trilogia Kafka”.
“A realidade em que vivemos, com todas as violências no Brasil desde seus marcos fundantes, é em si uma distopia”, afirma ele. “Desde a 'Trilogia Kafka', estamos atentos e continuamos falando sobre essas violências, mas com aspectos mais lúdicos e poéticos.”
A leitura é do diretor, e explica a escolha formal: a encenação combina realismo, simbolismo e o que ele chama de extrarrealismo.
Serroni no cenário, videogame na trilha
A ficha técnica tem dois pontos que chamam atenção pelo preço do ingresso. A cenografia é de J. C. Serroni, um dos nomes mais importantes da cenografia brasileira, e os figurinos são de Telumi Hellen.
A trilha sonora, assinada pelo próprio diretor, vai de canções de jogos eletrônicos ao punk e à música eletrônica, combinação que distancia a montagem de qualquer tratamento solene da autora.
A iluminação é de Rodrigo Palmieri e o visagismo de Louise Helène. A realização é da Garagem 21 e da Brancalyone Produções, com recursos da Lei Aldir Blanc e apoio dos governos estadual e federal.
Serviço
Projeto Clarice Teatro Paulo Eiró, Avenida Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Últimas sessões: sexta, 6, e sábado, 7 de novembro de 2026, às 20h, e domingo, 8, às 19h Ingressos: R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia 100 minutos. Classificação indicativa: 12 anos
Textos: Clarice Lispector Adaptação, trilha sonora e direção: Cesar Ribeiro Com Clara Carvalho, Magali Biff, Mariana Muniz e Vera Zimmermann Ator-contrarregra: Pedro Conrado Cenografia: J. C. Serroni. Figurinos: Telumi Hellen Iluminação: Rodrigo Palmieri. Visagismo: Louise Helène Direção de produção: Marisa Medeiros. Produção executiva: Jarbas Galhardo
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