Público caminha da cripta ao altar-mor da Catedral da Sé em trilogia teatral com quatro sessões restantes
Com dramaturgia e direção de Helder Mariani, a "Trilogia da Noite Escura da Alma" reúne três monólogos sobre santos carmelitas em diferentes espaços da catedral.
Depois da estreia em 6 de outubro, restam as sessões de 20 e 27 de outubro e 3 e 10 de novembro, sempre às terças, às 19h, para 100 pessoas por apresentação.
O público entra pelo Salão Superior, desce à Cripta, passa pelo Coro e termina no Altar-Mor. Em cada parada, encontra um monólogo. É esse o percurso da "Trilogia da Noite Escura da Alma", espetáculo itinerante com dramaturgia e direção de Helder Mariani apresentado dentro da Catedral da Sé, em São Paulo.
A temporada é curta e já começou. A estreia aconteceu em 6 de outubro, e restam quatro das cinco sessões previstas: 20 e 27 de outubro e 3 e 10 de novembro, sempre às terças-feiras, às 19h. A capacidade é de 100 pessoas por apresentação, e os ingressos custam R$ 80 e R$ 40 (meia).
Três santos, o mesmo tema
Os monólogos tratam de figuras carmelitas veneradas na fé católica, todos atravessados pela mesma experiência, a noite escura da alma, tradição espiritual carmelita que remete ao deserto existencial, à solidão, ao embate entre fé e razão e ao silêncio de Deus.
"Edith Stein, a Estrela e a Cruz", com Daniela Schitini, parte dos escritos da filósofa alemã Edith Stein, judia convertida ao catolicismo e depois monja carmelita descalça com o nome de Teresa Benedita da Cruz. A ação se passa em 2 de agosto de 1942, nos minutos em que ela recolhe em sua cela as poucas coisas que lhe permitiram levar, depois de dois oficiais da SS entrarem no mosteiro de Echt, na Holanda, e exigirem sua saída. Stein morreu na câmara de gás de Auschwitz em 9 de agosto daquele ano. O solo estreou em 2023, no Teatro das Paulinas.
"João da Cruz", interpretado pelo próprio diretor, se passa durante os nove meses em que o frei espanhol do século XVI foi mantido preso pelos carmelitas calçados, seus próprios confrades, em uma cela minúscula no convento de Toledo, entre dezembro de 1576 e agosto de 1577. A obra escrita dele integra a literatura clássica espanhola.
"Theresinha", com Gabriela Cerqueira, adapta os escritos autobiográficos da francesa Thérèse de Lisieux, canonizada em tempo recorde e conhecida no Brasil como Santa Teresinha. A montagem privilegia o aspecto humano e a ambiguidade de pensamentos que, já no século XIX, antecipavam questões sobre o sentido da existência. O espetáculo estreou em 2014 na Casa das Rosas, onde cumpriu três temporadas, e já passou por altares de igrejas paulistanas, pelo Mosteiro da Luz, pelo Museu de Arte Sacra e por Curitiba, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.
As atrizes Katia Naiane e Nicoli Rizzoli conduzem o público pelos espaços da catedral entre um encontro e outro, também em cena.
"Teatro e espiritualidade sempre caminharam juntos"
Os três solos compartilham a mesma concepção, a presença simples do ator em comunicação direta com a plateia, na chave do ator-narrador. Para o diretor, o deslocamento para dentro da catedral tem a ver com a cidade ao redor.
"Em especial nas grandes capitais, como São Paulo, onde cada cidadão vive fechado em si mesmo, onde o ser humano se embrutece cada vez mais na luta urbana pela sobrevivência, essa imersão teatral na Catedral da Sé busca iluminar lugares recônditos do ser humano, como o de sua dimensão espiritual", afirma Helder Mariani. "Bom lembrar que Teatro e Espiritualidade sempre caminharam juntos na História, desde suas origens."
Segundo ele, a proposta é humanizar figuras divinizadas. "A quem percorrer esse caminho da Catedral da Sé, há de se iluminar um olhar mais crítico e mais compassivo, para si mesmo e para o outro."
Serviço
Trilogia da Noite Escura da Alma Catedral da Sé, Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo, Praça da Sé, São Paulo
Sessões restantes: 20 e 27 de outubro e 3 e 10 de novembro de 2026, às terças-feiras, às 19h
Locais de encenação: Salão Superior, Cripta, Coro e Altar-Mor
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), no Sympla e na bilheteria, aberta uma hora antes das sessões
Duração total: 140 minutos.
Classificação: 14 anos.
Capacidade: 100 pessoas Acessibilidade apenas para o Coro e o Salão Superior. Não há acessibilidade para a Cripta
Dramaturgia e direção: Helder Mariani Com Daniela Schitini (Edith Stein), Helder Mariani (João da Cruz) e Gabriela Cerqueira (Theresinha)
Atrizes condutoras: Katia Naiane e Nicoli Rizzoli
Trilha sonora: Dagoberto Feliz.
Voz em off: Denise Weinberg
Idealização e produção: Cia. da Palavra