TeatroFoyer

Peça gratuita usa a travessia das tartarugas marinhas como metáfora do corpo lésbico

Solo de Beatriz Belintani com direção de Fabiana Monsalú, "Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha" tem apenas quatro sessões no Teatro Arthur Azevedo, de 15 a 18 de outubro.

Peça gratuita usa a travessia das tartarugas marinhas como metáfora do corpo lésbico
Foto: Camila Rios

Os ingressos são distribuídos de graça uma hora antes de cada apresentação.

Tartarugas marinhas nascem na terra e correm imediatamente para o mar. É dessa travessia que a CompanhiaDaNãoFicção extrai a metáfora central de “Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha”, peça-palestra que investiga o corpo lésbico na sociedade. A atuação e a dramaturgia são de Beatriz Belintani, com direção e encenação de Fabiana Monsalú.

A temporada é curta. São quatro apresentações no Teatro Arthur Azevedo, no Alto da Mooca, em São Paulo, de 15 a 18 de outubro, de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h. Os ingressos são gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada sessão, e a sala tem 467 lugares. As sessões de 17 e 18 de outubro têm audiodescrição e tradução em libras.

Um animal que vive fora de qualquer jurisdição

A escolha do bicho não foi casual. “O trabalho nasce do desejo e da necessidade de existirmos livres de qualquer forma de controle social, cultural ou político. E, mais do que isso, de vivermos em uma espécie de alegria anárquica”, explica Beatriz Belintani. “Por isso, escolhemos esse ser que vive em alto-mar, zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum Estado.”

O mote do solo é a afirmação da pensadora francesa Monique Wittig de que lésbicas não são mulheres. A partir dela, o espetáculo propõe o que a companhia chama de exercício de contra-imaginação sobre convivência, afeto e liberdade.

A escrita cênica combina fatos históricos, depoimentos em verbatim e textos de autoras latino-americanas, europeias e norte-americanas. Entre as referências estão Wittig, Audre Lorde, Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler.

Para a diretora, o recorte continua pouco contemplado. “A visibilidade lésbica ainda está à margem das discussões identitárias e de diversidade, mesmo no campo das artes, por isso a discussão é urgente e pungente na atualidade e pede constante atualização através do pensamento e da sensibilização poética, produzindo outros imaginários”, afirma Fabiana Monsalú.

Vídeo mapping e câmera ao vivo

A encenação trabalha uma dramaturgia que vai além da palavra, combinando o corpo da atriz com a dramaturgia da luz e do som, vídeo mapping e câmera ao vivo. A videografia é de Vic von Poser, o desenho de luz de Gabriela Ciancio e a dramaturgia sonora de Camila Couto. A cenografia e o vestuário são de Fabiana Monsalú e Marcela Mattos, com direção vocal de Gabriela Flores.

Haverá ainda uma conversa aberta ao público com a atriz Luaa Gabanini depois de uma das apresentações.

Quem assina o trabalho

Beatriz Belintani transita entre atuação e dramaturgia, com foco em performatividade. Entre seus trabalhos estão “Eu Amo Chris: uma pequena coleção de fracassos”, com o Coletivo Teatro Dodecafônico, o podcast “Dramaturgia Expandida” e a curadoria do Amoreiras Amoreiras, festival LGBTQIA+ do Vale do Paraíba.

Fabiana Monsalú é fundadora da CompanhiaDaNãoFicção, doutora em estudos artísticos teatrais e performativos pela Universidade de Coimbra e mestre em artes cênicas pela USP. Integrou por sete anos o Núcleo de Pesquisas Teatrais dirigido por Cibele Forjaz, onde atuou em “Álbum de Família” e “Galileu Galilei”. Atuou e dirigiu mais de 30 espetáculos e recebeu em 2021 o Prêmio por Trajetória Artística em Direção Aldir Blanc com “Fim de Festa: um mergulho para remixar a realidade”.

Serviço

Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha Teatro Arthur Azevedo, Avenida Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo
De 15 a 18 de outubro de 2026 Quinta a sábado, às 20h. Domingo, às 19h Ingressos gratuitos, distribuídos presencialmente uma hora antes de cada apresentação Audiodescrição e libras nas sessões de 17 e 18 de outubro
Duração: 60 minutos.
Classificação: 14 anos.
Capacidade: 467 lugares Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida Atuação e dramaturgia: Beatriz Belintani.
Direção e encenação: Fabiana Monsalú Videografia: Vic von Poser. Desenho de luz: Gabriela Ciancio.
Dramaturgia sonora: Camila Couto
Libras: Maré Dissidente.
Audiodescrição: Anderson Nepomuceno e Vanessa Oliveira
Realização: CompanhiaDaNãoFicção

TeatroIsabel Branquinha
Adicionar o FOYER como fonte preferida no Google

Quem marca passa a ver as nossas matérias em destaque nas Principais Notícias do Google.

Gostou desta leitura? A revista do FOYER sai toda quinta, às 7h, para assinantes. Aberta a todos só na sexta. De graça.

Leia também

Sobre o mesmo assunto

Mais lidas

na última semana
  1. Marisa Orth conduz o desejo aos 62 anos em curta que fica entre o fashion film e o erotismo
  2. Em cartaz há 25 anos no mundo, "Naked Boys Singing!" volta a São Paulo em novembro
  3. Netflix transforma caso de Lizzie Borden em romance lésbico na nova temporada de “Monstro”
  4. “Meu Filho é um Musical” estreia em maio no Rio e anuncia elenco que viverá Paulo Gustavo
  5. Ela lançou o primeiro disco aos 72 anos: documentário sobre Dona Onete estreia em 26 de novembro