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Teatro Foyer

Los Vibrantes reestreia “Gracias a La Vida” no Espaço Cia. da Revista

Los Vibrantes reestreia “Gracias a La Vida” no Espaço Cia. da Revista
Foto: Cecília Gidali

Com texto de Jérôme Savary e direção de Kleber Montanheiro, espetáculo revisita Robinson Crusoé entre Kabarett alemão, circo-teatro e delírio cênico

O grupo Los Vibrantes reestreia em São Paulo o espetáculo “Gracias a La Vida ou Os Últimos Dias de Solidão de Robinson Crusoé”, com temporada no Espaço Cia. da Revista entre 9 de setembro e 1º de novembro. A montagem tem texto de Jérôme Savary e direção e adaptação de Kleber Montanheiro.

Criado pelo encontro de ex-alunos da Escola Superior de Artes Célia Helena, o grupo estreou profissionalmente em julho e agora dá continuidade à circulação de sua primeira montagem. Em cena, os artistas revisitam um dos naufrágios mais famosos da literatura ocidental: o de Robinson Crusoé, personagem criado por Daniel Defoe no romance publicado originalmente no século XVIII.

Mas a peça não busca uma adaptação comportada do clássico. Em “Gracias a La Vida”, Robinson aparece já centenário, aos 112 anos, revisitando sua própria história entre memória, delírio, solidão e fantasia. O personagem que ficou marcado pela sobrevivência em uma ilha retorna, aqui, como figura atravessada pelo tempo, por lembranças fragmentadas e por uma espécie de festa melancólica.

A encenação combina influências do Kabarett alemão, do circo-teatro, da palhaçaria e da Commedia dell’Arte. O resultado é uma montagem de humor, música, exagero e instabilidade, em que a solidão de Robinson é deslocada para um universo coletivo, colorido e ruidoso.

A sinopse apresenta a trupe “O Grande Circo Mágico” de volta de uma turnê triunfal pelo estrangeiro para apresentar a peça “Gracias a La Vida”. Livremente inspirado na cultura latina e na obra de Violeta Parra, o espetáculo acompanha esse Robinson envelhecido enquanto ele revisita o naufrágio que o deixou em profunda solidão.

A escolha do título não é casual. “Gracias a la Vida”, canção mais conhecida de Violeta Parra, carrega uma ideia ambígua de celebração e despedida. Ao aproximar essa referência latino-americana da figura de Robinson Crusoé, a montagem desloca o clássico europeu para outro território simbólico: menos heroico, menos colonial, mais contraditório e mais próximo do delírio.

O espetáculo parece interessado justamente nessa fricção. Robinson Crusoé, figura tantas vezes associada à ideia de domínio, sobrevivência e reconstrução solitária do mundo, aparece agora cercado por uma trupe que desmonta qualquer possibilidade de isolamento absoluto. A solidão continua no centro, mas é encenada por um coletivo.

Esse é um dos pontos mais interessantes da proposta. Em vez de tratar a liberdade como conquista individual, “Gracias a La Vida” pergunta o que sobra dessa liberdade quando ela se confunde com abandono. O Robinson de Los Vibrantes parece menos um herói e mais alguém que sobreviveu tempo demais dentro da própria narrativa.

A montagem também aposta na criação de personas autorais pelos próprios atores. Essas figuras funcionam como ponte entre realidade e ficção, aproximando o universo do romance de referências da cultura popular brasileira e latino-americana. O elenco não entra em cena apenas para interpretar personagens de uma história já conhecida, mas para criar um território próprio de jogo.

Em cena estão Amanda Calove, Beatriz Ramos, Carlo Aloise, Davi Lopes, Eduardo Montoro, Elaine Oliveira, Isadora Avruch, Julianne Hamaoka, Luiza Caillaux, Mariana Zitto, Marie Gassen e Manoela Souza.

A direção musical é de Gustavo Vellutini, com Pedro Guimarães como músico em cena. A banda da trupe, a Cosmic Blues Band, atravessa a montagem com canções que ajudam a sustentar o clima de cabaré, circo e delírio. A música, nesse caso, não é adereço: é parte da máquina teatral que mantém o espetáculo em estado de permanente vibração.

A direção de Kleber Montanheiro organiza esse excesso sem tentar domesticá-lo. Diretor ligado a montagens de grande apelo popular e musical, como “Gal, O Musical”, “Cabaret” e “Tatuagem”, Montanheiro trabalha aqui com um grupo jovem em sua primeira experiência profissional, explorando justamente a energia de uma trupe em formação.

Essa juventude aparece como força estética. “Gracias a La Vida” não tenta esconder o caráter coletivo de sua criação. Pelo contrário, assume a cena como lugar de encontro, risco e construção de linguagem. O espetáculo nasce da vontade de um grupo recém-formado de experimentar teatro físico, música, performance e comicidade a partir de uma narrativa conhecida.

O Los Vibrantes foi criado em 2026 e tem como eixo de pesquisa o diálogo entre circo-teatro, teatro físico, música e performance. A proposta do grupo é fortalecer a percepção do teatro brasileiro como expressão latino-americana, buscando conexão com diferentes culturas do continente.

Nesta temporada, o grupo conta com apoio do Instituto Brasileiro de Teatro, da Escola Superior de Artes Célia Helena e da Casa Colméia. A montagem também tem parceria institucional com a Fundación por la Memoria Santo Antônio, organização chilena dedicada à pesquisa da memória e da arte como formas de resistência a processos de apagamento e repressão.

A parceria amplia a leitura do espetáculo. Ao trazer Violeta Parra, Robinson Crusoé, cultura latina, circo-teatro e Kabarett para a mesma cena, “Gracias a La Vida” constrói uma colagem em que memória e liberdade aparecem sempre em disputa. O que se lembra? O que se apaga? O que resta de uma vida depois que a história oficial termina?

Robinson Crusoé costuma ser lembrado como personagem da sobrevivência. Na montagem de Los Vibrantes, ele se torna também personagem da solidão, do excesso e da ruína íntima. Aos 112 anos, não basta ter sobrevivido ao naufrágio. É preciso sobreviver àquilo que a memória faz com ele.

Sinopse

A trupe “O Grande Circo Mágico” está de volta de sua turnê triunfal pelo estrangeiro e apresenta a peça “Gracias a La Vida”. Livremente inspirado na cultura latina, na célebre obra de Violeta Parra e no universo de Robinson Crusoé, o espetáculo acompanha o personagem já centenário enquanto ele revisita seu passado e relembra o naufrágio que o deixou em profunda solidão.

Com influências do Kabarett alemão e do circo-teatro, a montagem aborda temas como liberdade e solidão a partir de uma perspectiva satírica, musical e irreverente, embalada por canções interpretadas pela banda da trupe, a Cosmic Blues Band.

Serviço

Gracias a La Vida ou Os Últimos Dias de Solidão de Robinson Crusoé
Grupo: Los Vibrantes
Texto: Jérôme Savary
Direção e adaptação: Kleber Montanheiro

Temporada: de 9 de setembro a 1º de novembro de 2026

Datas:
9, 10, 16, 17, 23, 24, 25 e 26 de setembro
16, 17, 18, 23, 24, 25, 30 e 31 de outubro
1º de novembro

Horários: quarta a sábado, às 20h; domingos, às 18h

Local: Espaço Cia. da Revista
Endereço: Alameda Nothmann, 1135 — Campos Elíseos, São Paulo — SP

Ingressos: R$ 60 inteira | R$ 30 meia-entrada
Venda online: Sympla
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Observação: não é permitida a entrada de crianças menores de 14 anos

Ficha técnica

Direção e adaptação: Kleber Montanheiro
Texto: Jérôme Savary
Produção executiva: Carlo Aloise
Coordenação de produção: Mariana Zitto
Produção artística: Amanda Calove e Luiza Caillaux
Provocação cênica: Luisa Moretti
Consultoria de produção: Isadora Avruch
Estágio de produção: Giovanna Ferretti
Assistência de mídias sociais: Beatriz Ramos e Marie Gassen
Cenário e figurinos: Los Vibrantes
Direção musical: Gustavo Vellutini
Preparação vocal: Sonia Goussinsky
Preparação corporal: Luaa Gabanini
Coreografia e visagismo: Eduardo Montoro
Iluminação: Gustavo Gonçalo
Operação de luz: Caroline Rúbio
Músico: Pedro Guimarães

Elenco: Amanda Calove, Beatriz Ramos, Carlo Aloise, Davi Lopes, Eduardo Montoro, Elaine Oliveira, Isadora Avruch, Julianne Hamaoka, Luiza Caillaux, Mariana Zitto, Marie Gassen e Manoela Souza

Realização: C. A. Produções Artísticas, Los Vibrantes e Escola Superior de Artes Célia Helena
Apoio: Instituto Brasileiro de Teatro e Casa Colméia
Arte: Carlos Zamorano
Fotografia: Cecilia Gidali
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

TeatroIsabel Branquinha

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