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Nove anos depois da Eurovision, Salvador Sobral estreia no cinema na Mostra de São Paulo

O cantor português interpreta um estudante de Cambridge em "A Providência e a Guitarra", quarto longa de João Nicolau, que tem três sessões na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo entre 27 e 29 de outubro.

Nove anos depois da Eurovision, Salvador Sobral estreia no cinema na Mostra de São Paulo
Foto: João Nicolau.

Salvador Sobral construiu sua carreira em cima de um palco com microfone. Agora aparece diante da câmera pela primeira vez, em uma comédia portuguesa sobre artistas ambulantes do século 19 que são arrastados para o século 21 por uma maldição.

“A Providência e a Guitarra”, de João Nicolau, tem três sessões na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dentro da seção Perspectiva Internacional: terça, 27 de outubro, às 19h45, quarta, 28, às 14h, e quinta, 29, às 13h45. É a estreia do cantor no cinema, nove anos depois de ele dar a Portugal sua primeira vitória na Eurovision com “Amar pelos Dois”.

Sobral, no entanto, não é o protagonista. O filme acompanha Léon e Elvira Berthelini, casal de artistas ambulantes interpretado por Pedro Inês e Clara Riedenstein, que tenta sobreviver entre apresentações, dificuldades de dinheiro e encontros improváveis. Ele interpreta Stubbs, estudante de Cambridge que cruza o caminho dos dois.

Uma maldição que atravessa mais de um século

No primeiro tempo da narrativa, Léon e Elvira percorrem pequenas localidades portuguesas apresentando canções e números cênicos. Ao chegar a Covarronca, entram em conflito com um comissário de polícia, ficam sem lugar para dormir e conhecem Stubbs, que os ajuda a conseguir abrigo na casa de um pintor em crise com a mulher.

A partir daí uma maldição começa a transportar os personagens para o século 21, onde os problemas mudam de forma sem mudar de natureza: o futuro da previdência social, a militância política e o destino de uma banda punk chamada Desgraça. No presente, Léon integra a banda, e Elvira aparece ligada ao ativismo.

O que o filme faz com essa distância de mais de cem anos é observar como artistas continuam negociando criação, dinheiro, relações pessoais e estruturas de poder, com instrumentos e vocabulários diferentes.

O ponto de partida é um conto de Robert Louis Stevenson

O roteiro, assinado por João Nicolau e Mariana Ricardo, parte livremente de “Providence and the Guitar”, conto que Robert Louis Stevenson publicou em 1878. Léon e Elvira já estavam lá, artistas itinerantes dependentes da hospitalidade alheia e da sorte durante suas viagens.

Nicolau mantém esse começo e estica a história até o presente, de modo que o artista ambulante do século 19 encontre seu equivalente contemporâneo em uma banda de garagem. O resultado mistura comédia, romance, música e fantasia sem idealizar a vida artística.

A música não é trilha, é ofício

As canções foram escritas por João Nicolau em parceria com João Lobo, responsável também pela direção musical. Em vez de funcionar como acompanhamento das cenas, o canto pertence a personagens cuja sobrevivência depende da performance. É o que liga as duas épocas: muda o instrumento, muda o contexto, e permanece a pergunta sobre como continuar fazendo arte.

De Roterdã para São Paulo

O longa teve estreia mundial na abertura do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, em janeiro. Depois passou pelo IndieLisboa, onde Nicolau recebeu o prêmio de melhor direção em longa-metragem da competição nacional, e estreou comercialmente em Portugal antes de chegar à Mostra.

Com 125 minutos, é o quarto filme dirigido por Nicolau, que antes assinou “A Espada e a Rosa”, “John From” e “Technoboss”. Para Sobral, é a primeira experiência longe da função que o tornou conhecido, em um filme em que palavra, canção e representação nunca aparecem muito separadas.

Serviço

A Providência e a Guitarra 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, seção Perspectiva Internacional

Terça, 27 de outubro, às 19h45: Espaço Petrobras de Cinema, Sala 2 Quarta, 28 de outubro, às 14h: Espaço Petrobras de Cinema, Sala 3 Quinta, 29 de outubro, às 13h45: Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 4

Portugal, 2026. 125 minutos. Classificação indicativa: 14 anos Direção: João Nicolau. Roteiro: João Nicolau e Mariana Ricardo Com Pedro Inês, Clara Riedenstein, Salvador Sobral, Isac Graça e Jenna Thiam

Quem aparece nesta matériaRobert Louis Stevenson
CinemaIsabel Branquinha
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