“Katharine” discute relações abusivas a partir de “O Médico e o Monstro”
Em cartaz no Teatro Itália, espetáculo com Beá Pacheco e Conrado Paladini aborda violência contra a mulher, poder e comportamento masculino abusivo
Inspirado em “O Médico e o Monstro”, clássico de Robert Louis Stevenson, o espetáculo “Katharine: O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” está em cartaz no Teatro Itália, em São Paulo, até 25 de julho. A montagem propõe uma leitura contemporânea da obra ao aproximar a dualidade entre Jekyll e Hyde das dinâmicas de poder presentes em relações abusivas.
Com Beá Pacheco e Conrado Paladini no elenco, o espetáculo tem texto de Paladini e direção de Helena Coutinho e do próprio autor. Em julho, as apresentações acontecem às quartas, às 20h, e aos sábados, às 23h.
Na trama, Katharine vive uma relação marcada por manipulação, controle e violência. O abuso, no entanto, não aparece de forma imediata ou evidente. A peça observa como comportamentos abusivos podem se instalar de maneira gradual, disfarçados de cuidado, proteção, ciúme ou amor.
A partir da relação entre Katharine e o Dr. Jekyll, a montagem desloca o foco da figura do “monstro” como exceção e passa a investigar os mecanismos sociais que sustentam a violência contra mulheres. O espetáculo trata de abuso físico, psicológico e emocional, além de discutir as formas como o silêncio e a normalização desses comportamentos contribuem para a permanência da violência.
“Katharine é uma jovem que se recusa a abandonar sua capacidade de sonhar. Ao longo da história, vemos uma mulher atravessar a dor, o medo e a desilusão sem perder completamente a esperança. É justamente nessa mistura de fragilidade e força que ela se torna tão humana”, afirma Beá Pacheco.
Para a atriz, a personagem dialoga com experiências vividas por muitas mulheres em relações abusivas. “Katharine é o reflexo de tantas mulheres que vivem relações abusivas em silêncio. O espetáculo mostra como o abuso — físico, psicológico e emocional — corrói, aprisiona e destrói sonhos, autoestima e até vidas.”
A encenação tem abordagem dramática e naturalista, com cenas de nudez, linguagem verbal explícita, discursos de ódio em contexto dramático e simulação de violência sexual. Por tratar diretamente de dinâmicas de poder, vulnerabilidade e violência, a classificação indicativa é de 16 anos.
Na direção, Helena Coutinho trabalha ao lado de Conrado Paladini dentro de um processo autoral da produtora Coutinho & Paladini, criada pelos artistas para o desenvolvimento de projetos próprios. A dupla concentra diferentes áreas criativas da montagem, incluindo dramaturgia, direção, cenografia, figurinos e concepção estética.
“A peça toca em uma questão cada vez menos percebida: nossos valores não nascem prontos, precisam ser moldados, trabalhados e colocados à prova ao longo da vida”, afirma Helena Coutinho. “Em um tempo em que o amoral muitas vezes parece ter se tornado regra, a peça nos lembra que a bondade verdadeira exige esforço, consciência e enfrentamento de si.”
Além de atuar, Conrado Paladini assina o texto e se reveza nos personagens masculinos. A partir da base narrativa de Stevenson, a dramaturgia busca discutir identidade, violência, desejo e contradições do comportamento humano.
Ao trazer “O Médico e o Monstro” para o campo das relações afetivas, “Katharine” transforma o clássico em ponto de partida para uma reflexão sobre aquilo que muitas vezes se apresenta como amor, mas opera como controle. A pergunta que atravessa a montagem não é apenas onde está o monstro, mas como certos comportamentos violentos continuam sendo reconhecidos tarde demais.
Serviço
Katharine: O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde
Texto: Conrado Paladini
Direção e produção: Helena Coutinho e Conrado Paladini
Elenco: Beá Pacheco e Conrado Paladini
Produção executiva e realização: Coutinho & Paladini
Temporada: até 25 de julho de 2026
Apresentações restantes: 15, 18, 22 e 25 de julho
Local: Teatro Itália
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 — Subsolo — República, São Paulo — SP
Telefone: (11) 5468-8382
Sessões:Quartas, às 20hSábados, às 23h
Ingressos: vendas pela Sympla
Gênero: drama
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 302 lugares
Aviso ao público: a encenação inclui nudez, linguagem verbal explícita, discursos de ódio em contexto dramático e simulação de violência sexual. A obra aborda dinâmicas de poder, violência e vulnerabilidade em relações abusivas, podendo gerar forte impacto emocional.


