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Maricá vai virar Los Angeles na cinebiografia de Carmen Miranda com Giovanna Lancellotti

Maricá vai virar Los Angeles na cinebiografia de Carmen Miranda com Giovanna Lancellotti
Foto: Bob Wolfenson/Divulgação.

Anunciada na última terça, 6 de outubro, como protagonista de "Carmen", a atriz se prepara para o papel desde 2021. O filme de Esmir Filho tem orçamento estimado em R$ 61 milhões, filmagens previstas para 2027 e estreia para o segundo semestre de 2028.

Giovanna Lancellotti foi anunciada nesta terça-feira, 6 de outubro, como protagonista de "Carmen", cinebiografia de Carmen Miranda dirigida por Esmir Filho. A produção é bilíngue, tem orçamento estimado em R$ 61 milhões e filmagens previstas para o segundo semestre de 2027, com locações no Rio de Janeiro, em Maricá e em Nova York. O projeto será apresentado oficialmente nesta quarta-feira, 7 de outubro, no RioMarket, braço de negócios do Festival do Rio.

O valor coloca o longa entre os maiores orçamentos já anunciados para uma produção brasileira. Segundo a produtora Tatiana Issa, cerca de 80% do montante já foi captado por mecanismos brasileiros de incentivo. A H2O Films prevê lançamento nos cinemas brasileiros no segundo semestre de 2028, com planos para os mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Dois filmes sobre a mesma artista ao mesmo tempo

"Carmen" não é a única cinebiografia da cantora em desenvolvimento. Bruno Barreto prepara "Pra Você Gostar de Mim", centrado na trajetória dela nos Estados Unidos. Larissa Manoela chegou a ser anunciada como protagonista, mas deixou a produção em agosto, depois que uma mudança de cronograma entrou em conflito com outros compromissos. Segundo a equipe da atriz, Barreto decidiu antecipar as filmagens ao descobrir que outro projeto sobre Carmen Miranda estava sendo preparado. Lorena Comparato assumiu o papel.

O cinema brasileiro prepara, portanto, duas interpretações simultâneas da artista, 71 anos depois da morte dela.

Cinco anos de preparação

A escalação foi divulgada agora, mas a relação de Giovanna Lancellotti com o projeto começou em 2021. A atriz afirma que estuda a biografia e o repertório da cantora desde então, com aulas de canto com Felipe Habib e trabalho corporal e coreográfico com Márcia Rubin e Vanessa Garcia.

Além de protagonizar, ela participa da produção por meio da própria empresa, a GL Filmes. O projeto reúne ainda a Ananã Produções, de Julio Uchôa, a Producing Partners, de Tatiana Issa e Guto Barra, e a H2O Films. O roteiro é de Mariana Bardan e Eduardo Melo, dupla ligada à criação de "Cangaço Novo".

A primeira imagem oficial, fotografada por Bob Wolfenson, mostra a atriz caracterizada a partir da iconografia construída por Carmen. A intenção declarada do filme, porém, é avançar para além das referências mais imediatamente reconhecíveis.

Do Rio à Broadway, com Maricá no papel de Hollywood

O longa terá diálogos em português e inglês e acompanhará a transformação de uma estrela brasileira em fenômeno internacional. Nascida em Portugal em 1909 e criada no Rio de Janeiro, Carmen já era uma das maiores estrelas do rádio brasileiro quando foi levada aos Estados Unidos pelo empresário Lee Shubert. Estreou na Broadway em 1939, com "The Streets of Paris", e no cinema americano no ano seguinte, com "Down Argentine Way".

Nova York receberá as sequências ligadas à chegada aos Estados Unidos e ao período na Broadway. Maricá, no litoral fluminense, será usada para recriar Los Angeles, onde a artista viveu na fase hollywoodiana. A produção estuda preservar depois o cenário construído para representar a casa dela na Califórnia como espaço dedicado à memória da cantora.

A equipe pretende escalar atores de língua inglesa para personagens importantes do período americano, entre eles Shubert, o executivo da 20th Century Fox Darryl F. Zanuck e David Sebastian, com quem Carmen se casou em 1947.

O desafio de ir além do turbante

A imagem de Carmen Miranda permanece tão reconhecível que frequentemente se impõe sobre a trajetória. Turbantes, plataformas e frutas viraram símbolos reproduzidos por décadas, mas ela participou ativamente da criação daquela persona, interferindo em repertório, figurino, interpretação e construção visual antes mesmo da carreira americana. O Museu Carmen Miranda registra que ela criava as próprias roupas quando jovem e que sua versão da baiana se consolidou no Brasil antes da Broadway e de Hollywood.

A carreira nos Estados Unidos também teve contradições. Ao mesmo tempo que levou samba e referências brasileiras a plateias internacionais, Hollywood passou a enquadrá-la em uma representação genérica da América Latina. Em 1940, ao voltar temporariamente ao Brasil, foi acusada por parte da imprensa e da elite de ter se americanizado, e respondeu gravando "Disseram que Voltei Americanizada".

Esmir Filho já lidou com questão parecida em "Homem com H", sobre Ney Matogrosso, ao construir o filme sem reduzir o personagem à reprodução de performances conhecidas.

Serviço

Carmen Direção: Esmir Filho.
Com Giovanna Lancellotti Roteiro: Mariana Bardan e Eduardo Melo Produção: GL Filmes, Ananã
Produções, Producing Partners e H2O Films
Orçamento estimado: R$ 61 milhões, com cerca de 80% já captado Filmagens previstas para o segundo semestre de 2027, no Rio de Janeiro, em Maricá e em Nova York
Estreia prevista para o segundo semestre de 2028
Apresentação oficial em 7 de outubro de 2026, no RioMarket, no Festival do Rio

Fontes

Anúncio da produção, declarações da produtora Tatiana Issa e da atriz Giovanna Lancellotti, informações da equipe de Larissa Manoela sobre a saída do projeto de Bruno Barreto e registros do Museu Carmen Miranda.

CinemaIsabel Branquinha

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