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Kiko Mascarenhas monta com a plateia, a cada sessão, uma lista de motivos para viver

Kiko Mascarenhas monta com a plateia, a cada sessão, uma lista de motivos para viver
Foto: Renato Domingos

Vencedor do Prêmio APCA 2024 de melhor espetáculo e visto por mais de 20 mil pessoas, o solo "Todas as Coisas Maravilhosas" reestreia no Teatro Tucarena em 16 de outubro, com direção de Fernando Philbert, e fica em cartaz até 13 de dezembro.

Aos sete anos, um menino descobre que a mãe tem depressão. A reação dele é fazer listas de todas as coisas maravilhosas que existem no mundo, sorvete, água-viva, cair na água com roupa, e espalhar os papéis pela casa em lugares onde ela vá encontrar. É esse o ponto de partida de "Todas as Coisas Maravilhosas", solo de Kiko Mascarenhas que reestreia em São Paulo no dia 16 de outubro, no Teatro Tucarena, em Perdizes.

A montagem venceu o Prêmio APCA de melhor espetáculo em 2024 e já foi vista por mais de 20 mil pessoas. A direção é de Fernando Philbert, responsável por "Job", "Três Mulheres Altas" e "O Escândalo Philippe Dussaert". A temporada vai até 13 de dezembro, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 120 e R$ 60 (meia).

A plateia entra na lista

A lista não está pronta quando a peça começa. Ela é construída na sessão, com o público sugerindo itens e, quando o ator pede, assumindo brevemente alguma figura da vida do menino. A participação é consentida, e cada apresentação termina com uma lista diferente.

"A peça propõe uma interação entre o ator e público de uma forma delicada, respeitosa, divertida e leve, sem nunca ser invasiva", explica Kiko Mascarenhas. "A história é contada junto com o público, que me ajuda nessa narrativa, fazendo com que cada apresentação seja verdadeiramente única."

Os recursos de cena são deliberadamente domésticos. Papel e lápis, caixas, meias, objetos de uso pessoal. Com eles o ator atravessa a infância, a adolescência e a vida adulta do personagem, alternando a imaginação do menino e a memória do homem.

Para o diretor, o mecanismo da peça é o próprio mecanismo do teatro. "Uma peça de teatro se realiza no encontro maravilhoso entre o público e o ator. No olhar da plateia é que as cenas ganham sentido e se tornam teatro", diz Fernando Philbert. "Esta peça é sobre viver. Sobre prestar atenção na vida em todos os seus pequenos detalhes. De um banho de chuva ao macarrão à bolonhesa. Que o espectador volte para casa e no caminho comece a sua lista: número um."

Um texto inglês que correu o mundo

O original, "Every Brilliant Thing", é de 2013, escrito por Duncan Macmillan em parceria com Jonny Donahoe. A tradução e adaptação brasileira é de Diego Teza. Macmillan, dramaturgo britânico nascido em 1980, colaborou com o Royal Court Theatre e o National Theatre de Londres e assina também "People, Places & Things", sobre dependência e recuperação. No audiovisual, foi roteirista da minissérie "Brexit: The Uncivil War".

Em uma das montagens internacionais, o texto recebeu resenha elogiosa do The New York Times. O crítico Ben Brantley escreveu que a peça, apesar de muito engraçada, tem plena consciência de que encarar perdas e depressão exige uma grande força de vontade para lembrar por que vale a pena continuar vivendo, e que essa busca é o que torna o texto fascinante.

Quarenta anos de carreira, mais de 40 espetáculos

Kiko Mascarenhas tem mais de 40 montagens no currículo, entre elas "O Desaparecimento do Elefante", "Os Altruístas", "A Falta Que Nos Move" e "O Camareiro", ao lado de Tarcísio Meira. Com Lázaro Ramos, produziu e dirigiu "O Jornal". Na televisão, ficou conhecido como o advogado Tavares de "Tapas & Beijos" e como Gomes, o secretário fiel de "Mister Brau", além de papéis em "O Tempo Não Para", "Éramos Seis" e "Cara e Coragem". No cinema, fez dupla com Leandro Hassum na trilogia "Até Que a Sorte Nos Separe".

Fernando Philbert foi assistente de Aderbal Freire-Filho em mais de quinze peças, entre elas "Hamlet", com Wagner Moura, e "Incêndios", com Marieta Severo. Dirigiu Marcos Caruso em "O Escândalo Philippe Dussaert", Pedro Paulo Rangel em "O Ator e o Lobo" e, mais recentemente, "Job", com Bianca Bin e Edson Fieschi, e "Na Marca do Pênalti", autobiografia cênica de Walter Casagrande.

A crítica destacou a relação do ator com a plateia. Patrick Pessoa, em O Globo, escreveu que Mascarenhas cumprimenta cada espectador como se todos fossem amigos de longa data envolvidos na mesma celebração. Celso Faria, do blog e-urbanidade, observou que espetáculos que exigem esse grau de comunicabilidade só funcionam com intérpretes capazes de equilibrar texto e improvisação.

Serviço

Todas as Coisas Maravilhosas Teatro Tucarena, Rua Monte Alegre, 1024, entrada pela Rua Bartira, Perdizes, São Paulo
De 16 de outubro a 13 de dezembro de 2026 Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h
Ingressos: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia), no site sympla.com.br
Capacidade: 288 lugares.
Duração: 70 minutos
Gênero: comédia dramática.
Classificação: 12 anos
Texto: Duncan Macmillan e Jonny Donahoe.
Tradução e adaptação: Diego Teza
Direção: Fernando Philbert.
Com Kiko Mascarenhas
Produção: KM ProCult, com coprodução da Ufa! Produções Artísticas

Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br.

TeatroIsabel Branquinha

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