José Loreto queria viver Chorão havia oito anos, e ainda fez cinco testes para conseguir o papel
Premiado com o Kikito de melhor ator em Gramado pela interpretação do vocalista do Charlie Brown Jr., o ator tem sessão na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na terça, 27 de outubro, agora com o filme rebati
Querer o papel por oito anos não garantiu nada a José Loreto. Para interpretar Chorão, o ator passou por cinco etapas de testes antes de ser escolhido por Hugo Prata e Felipe Novaes, diretores da cinebiografia do vocalista do Charlie Brown Jr.
Segundo os cineastas, vários atores participaram do processo, e a decisão se definiu quando Loreto chegou às cenas mais dramáticas. Foi a intensidade que ele encontrou ali, afirmam, que tornou a escolha evidente.
Meses depois, o resultado apareceu no Festival de Gramado, em agosto: Loreto venceu o Kikito de melhor ator, prêmio dividido com Christian Malheiros, de “Justino: Nos Bastidores do Reino”. O filme leva ainda o Kikito de melhor trilha musical, para Otávio de Moraes.
Agora a produção tem sessão na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na terça, 27 de outubro, às 19h15.
Seis meses para chegar perto do timbre
Depois de conquistar o papel, Loreto passou por cerca de seis meses de preparação. Deixou o cabelo crescer, intensificou a prática de skate e trabalhou a voz para se aproximar do timbre e da maneira de cantar de Chorão, morto em 2013. A pesquisa incluiu entrevistas, apresentações, documentários e imagens de arquivo.
Fã da banda e skatista na adolescência, o ator já tinha alguma relação com aquele universo. Mesmo assim, a preparação se organizou para que a interpretação não parasse na reprodução de gestos reconhecíveis. Chorão deixou marcas muito específicas de voz, corpo e presença de palco, e o que os diretores dizem ter buscado nos testes estava justamente fora delas, no personagem quando a música para.
A história passa pelo olhar de Graziela
O roteiro é de Duda de Almeida e parte do livro “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? Minha História de Amor com Chorão”, escrito por Graziela Gonçalves, companheira do cantor. Interpretada por Nanda Marques, Graziela ocupa posição central na narrativa.
A escolha afasta o filme da cronologia de sucesso do Charlie Brown Jr. e o aproxima de uma relação que atravessou parte importante da vida pessoal e artística de Chorão. Para construir a personagem, a atriz contou ter lido o livro ao menos cinco vezes e mantido o exemplar por perto durante as filmagens.
O ponto de vista também abre espaço para as contradições do relacionamento. Nanda Marques já descreveu a relação dos dois como uma combinação de afeto, intensidade e comportamentos pouco saudáveis, recusando uma leitura apenas romantizada.
Do documentário para a ficção, e um título novo
Para Prata e Novaes, o filme é um reencontro com uma história que eles já tinham investigado em outro formato. Novaes dirigiu “Chorão: Marginal Alado”, documentário lançado em 2021 depois de passar pelo Festival do Rio, com Prata entre os responsáveis pelo roteiro e pela produção. Agora os dois dividem a direção da ficção, formato que permite recriar momentos da trajetória do cantor em vez de depender de depoimentos e arquivo.
Em Gramado, o longa foi exibido como “Chorão: Só os Loucos Sabem”, em referência a uma das canções mais conhecidas da banda. Na Mostra, aparece com o título do livro de Graziela, o que reforça de quem é o olhar que conduz a história.
Serviço
Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Terça, 27 de outubro, às 19h15 Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, Sala 1
Direção: Felipe Novaes e Hugo Prata. Roteiro: Duda de Almeida A partir do livro de Graziela Gonçalves Com José Loreto e Nanda Marques 113 minutos. Classificação indicativa: 14 anos
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