Festival de Gramado abre noites do Palácio com “Antártida” e nova safra do cinema brasileiro
54ª edição segue até 22 de agosto com 96 filmes em dez mostras, seis longas nacionais na disputa pelo Kikito e homenagens a Andrea Beltrão, Selton Mello e Maria Fernanda Cândido
O Festival de Cinema de Gramado abre nesta sexta-feira, 14 de agosto, as noites de tapete vermelho de sua 54ª edição com a exibição de “Antártida”, novo longa de Bruno Safadi. A sessão acontece às 18h, no Palácio dos Festivais, fora de competição, depois da abertura oficial marcada para as 15h, na Rua Coberta.
A programação começou na quarta-feira, 12, com atividades dedicadas às mostras estudantil e universitária, mas é a partir desta sexta que Gramado entra em seu ritual mais conhecido: artistas, realizadores, júris, homenagens e filmes inéditos ocupando a cidade da Serra Gaúcha até 22 de agosto.
Em 2026, o festival reúne 96 filmes distribuídos em dez mostras, entre competições, sessões especiais, mostras formativas e exibições hors concours. No centro da disputa estão os seis longas brasileiros de ficção selecionados para a Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros, que concorrem aos principais Kikitos da edição.
O filme de abertura já aponta uma das linhas de interesse deste ano. “Antártida” leva ao palco de Gramado um thriller psicológico ambientado em uma estação brasileira no continente gelado. No enredo, uma equipe de cientistas e militares se prepara para atravessar o inverno em isolamento. Quando a cientista Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa, sofre uma violência, a subcomandante Elisabeth, vivida por Andrea Beltrão, assume a investigação ao lado das mulheres da estação.
O elenco reúne ainda Leandra Leal, Lázaro Ramos, Antonio Calloni, João Vitor Silva e Mariana Sena. Além do peso do elenco, o longa chama atenção pelo desenho de produção: a Antártida foi recriada em estúdio, com uso de painéis virtuais para simular o ambiente polar. Em um festival historicamente atento aos caminhos do cinema brasileiro, a escolha da abertura coloca tecnologia, gênero e escala de produção no centro da conversa.
A mostra competitiva de longas brasileiros começa no sábado, 15, com “Feito Pipa”, de Allan Deberton. A seleção segue com “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia; “Chorão: Só os Loucos Sabem”, de Hugo Prata e Felipe Novaes; “Leite em Pó”, de Carlos Segundo; “Justino — Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte; e “Nosso Segredo”, primeiro longa-metragem dirigido por Grace Passô.
A lista aproxima filmes bastante diferentes entre si. “Chorão: Só os Loucos Sabem” leva José Loreto ao papel do vocalista do Charlie Brown Jr. e se insere em uma tendência forte do audiovisual brasileiro recente: a revisitação de ícones da música popular por meio de biografias filmadas. Já “Justino — Nos Bastidores do Reino”, com Christian Malheiros, Caio Blat e Antonio Pitanga, acompanha a ascensão de um jovem dentro de uma igreja neopentecostal, a partir do livro de Mário Justino.
Outro título que chega com atenção especial é “Nosso Segredo”. A estreia de Grace Passô na direção de um longa-metragem reforça o trânsito cada vez mais visível entre teatro, performance e cinema no Brasil contemporâneo. Atriz, dramaturga e diretora, Grace leva a Gramado um trabalho que já passou pela seção Perspectives do Festival de Berlim.
Na competição de documentários brasileiros, quatro produções disputam o Kikito: “Afrontosa”, de Coraci Ruiz e Julio Matos; “Empeleitada”, de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges; “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira; e “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic.
A programação também inclui mostras de longas gaúchos, curtas brasileiros, curtas gaúchos, cinema infantil, cinema acessível, sessões especiais, atividades formativas e encontros voltados ao mercado audiovisual. Com isso, Gramado volta a ocupar um lugar que vai além da vitrine de estreias: o de ponto de encontro entre produção, circulação, memória e disputa por atenção em um cinema brasileiro que tenta se reposicionar entre salas, streaming, festivais e novas formas de financiamento.
Homenagens olham para diferentes gerações do audiovisual
Como tradicionalmente acontece, a edição também reserva parte importante de sua programação para homenagear trajetórias do cinema e da televisão brasileira. Andrea Beltrão recebe o Troféu Oscarito, reconhecimento destinado a grandes nomes da atuação nacional.
O Kikito de Cristal será entregue a Selton Mello e Maria Fernanda Cândido, em um ano de projeção internacional para os dois artistas. Selton ampliou sua circulação fora do país com a repercussão de “Ainda Estou Aqui”, enquanto Maria Fernanda integra o elenco de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho.
O Troféu Cidade de Gramado será entregue a Marcos Caruso, enquanto a produtora Renata Almeida Magalhães recebe o Troféu Eduardo Abelin, dedicado a profissionais que contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento do cinema brasileiro.
Entre os nomes esperados na edição estão Bianca Comparato, Caio Blat, Christian Malheiros, Débora Falabella, Emilio Dantas, Grace Passô, José Loreto, Valentina Herszage, Vinícius de Oliveira e Zezita Matos. Os júris reúnem artistas e profissionais como Cris Vianna, Helena Ranaldi, Marcelo Serrado, Bárbara Paz, Caco Ciocler, Vitória Strada, Gabriela Loran e Ícaro Silva.
A abertura com “Antártida” também coloca Andrea Beltrão em dupla posição dentro do festival: homenageada da edição e uma das protagonistas do filme que inaugura as sessões de gala. É uma coincidência simbólica para uma atriz cuja carreira atravessa cinema, teatro e televisão sem se fixar em um único tipo de personagem.
Gramado chega a 2026 reafirmando sua função de calendário, mas também de leitura de momento. A seleção reúne biografias musicais, dramas sociais, thrillers, documentários políticos, estreias de realizadores e filmes que dialogam com festivais internacionais. A pergunta que fica não é apenas quem levará o Kikito em 22 de agosto, mas que retrato do cinema brasileiro esta edição começa a desenhar.
Serviço
54º Festival de Cinema de Gramado
Período: de 12 a 22 de agosto de 2026
Local: Palácio dos Festivais e outros espaços de Gramado — RS
Programação: 96 filmes em dez mostras
Abertura oficial — 14 de agosto
15h — Abertura oficial do 54º Festival de Cinema de Gramado, na Rua Coberta
17h — Tapete vermelho
18h — Sessão hors concours de “Antártida”, de Bruno Safadi, no Palácio dos Festivais
Longas brasileiros em competição:
“Feito Pipa”, de Allan Deberton
“Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia
“Chorão: Só os Loucos Sabem”, de Hugo Prata e Felipe Novaes
“Leite em Pó”, de Carlos Segundo
“Justino — Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte
“Nosso Segredo”, de Grace Passô
Documentários brasileiros em competição:
“Afrontosa”, de Coraci Ruiz e Julio Matos
“Empeleitada”, de Micaele Xukuru, Chico Ludermir e Sergio Borges
“Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira
“O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic
Homenagens da edição:
Troféu Oscarito — Andrea Beltrão
Kikito de Cristal — Selton Mello e Maria Fernanda Cândido
Troféu Cidade de Gramado — Marcos Caruso
Troféu Eduardo Abelin — Renata Almeida Magalhães
Premiação principal: 22 de agosto de 2026



