HBO Max e Paramount+ vão se unir; entenda o que muda para quem assina
Compra da Warner foi concluída, mas aplicativos continuam separados; nova empresa assume compromissos de produção após disputa judicial
Quem assina HBO Max ou Paramount+ não precisa trocar de aplicativo, refazer cadastro ou contratar outro plano por causa da compra da Warner Bros. Discovery.
A Paramount concluiu a aquisição na terça-feira (6) e reuniu as empresas sob o nome Skydance. David Ellison, presidente e CEO do grupo, confirmou que pretende combinar as duas plataformas, mas a integração tecnológica levará tempo. Em declarações repercutidas pelo The Hollywood Reporter e pelo Omelete, o executivo indicou que os serviços continuarão separados no curto prazo e poderão ser oferecidos em um pacote.
A central de ajuda brasileira da HBO Max é explícita: não há mudanças imediatas em assinaturas, preços, aplicativos ou conteúdo. Quem paga pelos dois serviços pode continuar usando cada um normalmente. A empresa também diz que avisará com antecedência sobre futuras alterações de preço.
Nesse pacote, o acesso aos dois serviços seria vendido em uma mesma oferta, mantendo as plataformas separadas.
A Skydance ainda não anunciou nome, data de lançamento, preços ou regras de migração para o aplicativo integrado. Tampouco apresentou um calendário específico para o Brasil.
A aquisição também não colocou automaticamente o catálogo do Paramount+ dentro da HBO Max. A página de suporte informa que as bibliotecas permanecem sem mudanças imediatas, inclusive nas ofertas de conteúdo pago à parte.
A disputa até o fechamento
O acordo de aquisição foi anunciado em 27 de fevereiro, quando a operação avaliava a Warner Bros. Discovery em US$ 110 bilhões, incluída a dívida. A proposta previa comprar toda a companhia, reunindo estúdios, canais de televisão e streaming. O fechamento ainda dependia de autorizações e outras condições previstas no contrato.
Em 13 de julho, procuradores-gerais de 12 estados americanos, liderados pela Califórnia, entraram na Justiça para bloquear o negócio. Alegavam que a combinação reduziria a concorrência entre distribuidores de cinema e canais de TV, com risco de preços maiores, menos produções e prejuízos a trabalhadores e espectadores.
A disputa com os estados resultou em um acordo anunciado em 21 de setembro. Entre os compromissos estão o lançamento de 30 filmes por ano nos dois primeiros anos e de 32 por ano nos três seguintes. Pelo menos quatro lançamentos anuais deverão ser produções independentes.
A empresa também se comprometeu a acrescentar ao menos US$ 1,5 bilhão aos gastos com produção cinematográfica nos Estados Unidos ao longo de cinco anos, tomando 2025 como referência.
Um fundo de US$ 47,5 milhões será destinado à qualificação e ao desenvolvimento profissional de trabalhadores afetados pela fusão.
Há ainda uma exigência diretamente ligada à distribuição: durante cinco anos, as negociações dos canais básicos de TV por assinatura da Paramount deverão ocorrer separadamente das negociações dos canais equivalentes da Warner. O acordo também prevê a manutenção de um serviço gratuito de streaming, como o Pluto TV, e fiscalização por um monitor independente.
O comando das séries e dos catálogos
Casey Bloys, até então responsável pelo conteúdo de HBO e HBO Max, passa a responder também pelo Paramount+ como copresidente e diretor de conteúdo da divisão de streaming da Skydance. Segundo a Variety, ele renovou seu contrato por vários anos. As condições financeiras e a duração exata não foram divulgadas.
Seu novo escopo inclui programação original, estratégia e operação das plataformas. A mudança amplia a responsabilidade do executivo que acompanhou séries como Succession, The White Lotus e The Last of Us, agora com decisões que também alcançarão o serviço da Paramount.
A Skydance informa somar mais de 200 milhões de assinaturas entre suas plataformas. Esse total não deve ser confundido com uma contagem de pessoas diferentes: um mesmo cliente pode assinar mais de um serviço. O grupo passa a controlar, além dos dois estúdios, marcas como HBO, CBS, CNN, Nickelodeon e Cartoon Network.
Ellison divide o comando com o co-CEO Ynon Kreiz. A companhia estabeleceu a meta de atingir ao menos US$ 6 bilhões em economias anuais recorrentes em até três anos, principalmente em tecnologia, integração de operações, compras, marketing e imóveis.
O grupo afirma ainda que continuará encomendando produções de estúdios independentes e licenciando seu próprio conteúdo para terceiros. Portanto, a concentração das empresas não significa que todos os seus filmes e séries passarão a ser exclusivos de um mesmo aplicativo.


