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Maricá abre R$ 20 milhões em editais de cinema e exige filmagem na cidade

Maricá abre R$ 20 milhões em editais de cinema e exige filmagem na cidade
Foto: Katito Carvalho/Prefeitura de Maricá

A Prefeitura de Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro, abriu na terça-feira, 28 de julho, as inscrições de dois editais de cinema que somam R$ 20 milhões. É dinheiro público municipal indo direto para longas-metragens e séries, sem renúncia fiscal no meio do caminho e sem depender de empresa patrocinadora. O prazo vai até as 18h de 26 de agosto.

O programa se chama Filmar Maricá 2026 e é operado pela Companhia de Cultura e Turismo de Maricá, a MARÉ, empresa pública instituída pelo município em setembro de 2025. São dois editais com desenhos distintos: um paga para o projeto nascer, o outro paga para o filme ficar pronto.

Quanto cada projeto leva

O Edital de Desenvolvimento de Projetos Audiovisuais tem R$ 3 milhões e vai escolher 15 propostas inéditas, a R$ 200 mil cada. A divisão está no regulamento: seis projetos de longa-metragem ou série de ficção, seis de documentário e três de animação. O valor cobre pesquisa, elaboração de argumento e roteiro, consultorias criativas, revisões dramatúrgicas e material audiovisual promocional. Banca, portanto, a fase que quase nunca encontra quem pague, aquela em que o filme ainda é papel.

Bem maior, o Edital de Produção reserva R$ 17 milhões para nove longas: cinco de ficção, a R$ 2,5 milhões cada, e quatro documentários, a R$ 1,125 milhão cada. Nos dois casos podem se inscrever empresas produtoras brasileiras independentes sediadas no Estado do Rio de Janeiro, qualificadas como agentes culturais. O apoio é financeiro e não reembolsável, formalizado depois em Termo de Execução Cultural, nos termos da Lei nº 14.903/2024.

Há ainda um terceiro chamamento, menor, mas relevante para quem trabalha no setor: o credenciamento de pareceristas, que monta o banco de profissionais encarregados de analisar tecnicamente as propostas. As inscrições vão das 6h de 29 de julho às 18h de 4 de agosto e estão abertas a microempreendedores individuais e microempresas.

A contrapartida se chama território

A exigência que vem junto com o dinheiro muda o cálculo de quem vai concorrer. No edital de desenvolvimento, as propostas selecionadas precisam apresentar vínculo narrativo com o município. No de produção, o regulamento determina que no mínimo 50% da filmagem aconteça em Maricá, e pede um plano preliminar de execução territorial entre os anexos obrigatórios.

Quando apresentou o programa, em junho, a prefeitura informou também que as produções apoiadas terão de contratar ao menos 30% de mão de obra local, e que os editais reservam vagas para produtoras sediadas na cidade: no mínimo cinco no desenvolvimento e duas na produção, desde que cumpridos os critérios técnicos e de habilitação.

"O audiovisual não proporciona apenas bons filmes, séries e documentários, também promove desenvolvimento nas cidades onde se instala. Uma produção movimenta muita gente, envolve comércio, serviços, mão de obra, fornecedores e locações", disse o presidente da MARÉ, Antonio Grassi, em entrevista ao programa Maricá em Pauta, da Rádio 88.1 FM.

Antes de virarem edital, os dois textos passaram por consulta pública entre 15 e 26 de junho, com as minutas abertas a sugestões de produtoras, realizadores e agentes culturais. É um detalhe de procedimento que costuma passar batido e que decide muita coisa: regra escrita a portas fechadas tende a beneficiar quem já sabe preencher formulário.

Quem está tocando o programa

Grassi está à frente da MARÉ desde 2025. Antes disso presidiu a Fundação Nacional de Artes (Funarte), foi secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, presidiu o Theatro Municipal do Rio e dirigiu o Instituto Inhotim. Em 4 de maio deste ano tomou posse no Conselho Empresarial da Indústria Criativa da Firjan, ao lado de nomes como Luiz Calainho, Helena Severo e Edney Silvestre.

"A expectativa é receber projetos que reflitam a diversidade e a potência criativa de Maricá, valorizando histórias que expressem a identidade da cidade. Esses editais representam um passo importante para fortalecer o audiovisual local, incentivar novos talentos e criar oportunidades para quem produz cultura no município", afirmou Grassi ao Brasil de Fato.

O tamanho disso na conta nacional

Vale medir o número contra o resto do país. Em 2025, o fomento federal ao audiovisual desembolsou R$ 1,41 bilhão, o maior volume da série histórica, com alta de 29% sobre 2024, segundo o balanço da Ancine. Desse total, a linha de Investimento do Fundo Setorial do Audiovisual respondeu por R$ 564,3 milhões contratados, a infraestrutura levou R$ 411,1 milhões e as leis de incentivo somaram R$ 437,8 milhões liberados.

A conta a seguir é do FOYER, não da prefeitura nem da Ancine, e vem com a ressalva que ela exige: os R$ 20 milhões de Maricá são o teto anunciado de dois editais de 2026, dinheiro a sair conforme os projetos andarem, enquanto o R$ 1,41 bilhão é recurso federal efetivamente desembolsado em 2025. Feita a divisão simples entre os dois números, o município põe na mesa o equivalente a cerca de 1,4% do que a União desembolsou no ano passado. Para uma cidade de porte médio, é muito. Diante do tamanho do setor, é uma fatia.

E chega num momento ruim para o filme nacional na bilheteria. No fim de julho, o cinema brasileiro ficou fora do Top 10 por dois fins de semana seguidos, enquanto as salas do país viviam um dos melhores meses desde a pandemia. Dinheiro municipal com contrapartida de território não conserta isso sozinho.

O que ele cria é previsibilidade. Quem produz passa a saber que existe um valor conhecido, um prazo publicado e um lugar para filmar, decididos na prefeitura. É uma rota diferente de disputar o edital de uma estatal, de correr atrás de empresa disposta a abater imposto pela Lei Rouanet ou de esperar que um patrocinador goste do roteiro.

Serviço

Filmar Maricá 2026 (Companhia de Cultura e Turismo de Maricá, MARÉ)

Editais de Desenvolvimento de Projetos Audiovisuais e de Produção de Longa-Metragem (ficção ou documentário)

Inscrições: das 6h de 28 de julho às 18h de 26 de agosto de 2026

Quem pode se inscrever: empresas produtoras brasileiras independentes sediadas no Estado do Rio de Janeiro

Valores: R$ 3 milhões no desenvolvimento (15 propostas de R$ 200 mil) e R$ 17 milhões na produção (5 longas de ficção de R$ 2,5 milhões e 4 documentários de R$ 1,125 milhão)

Credenciamento de pareceristas: das 6h de 29 de julho às 18h de 4 de agosto de 2026

Regulamentos, cronogramas e anexos: área de editais do portal da MARÉ

Ver os editais do Filmar Maricá

Quem aparece nesta matériaLuiz CalainhoPedro Amaral
EditalPedro Amaral

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