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"Eu me sinto uma debutante e uma macaca velha ao mesmo tempo": Malu Galli estreia como cantora

Aos 54 anos, com 44 de carreira, a atriz liderou sua primeira sequência de shows à frente de "Maravilhas Contemporâneas", projeto que parte do álbum lançado por Luiz Melodia em 1976, com direção artística e musical de Rô

”Eu me sinto uma debutante e uma macaca velha ao mesmo tempo”: Malu Galli estreia como cantora
Foto: Mari França/Divulgação

Durante mais de quatro décadas, Malu Galli subiu ao palco para interpretar outras pessoas. Agora resolveu experimentar o que acontece quando não há personagem entre ela e o público.

A atriz acaba de realizar sua primeira sequência de apresentações como cantora, à frente de um projeto musical próprio. Depois de passar por Ribeirão Preto, Franca e São Paulo, descreveu a experiência como descoberta artística e contou ter sentido uma onda de alegria ao cantar diante da plateia.

A novidade não está exatamente em usar a voz. Ela já cantou em espetáculos, tocou instrumentos e integrou uma banda nos anos 1990. O que mudou foi subir ao palco como ela mesma.

Sem personagem no caminho

Depois de uma carreira construída sobre textos e situações ficcionais, o show estabeleceu uma comunicação mais direta com o público. Isso não significa abandonar o que ela aprendeu como atriz: décadas de dramaturgia continuam atravessando a maneira como interpreta uma letra e entende uma canção. A questão é usar essa experiência sem transformar cada música em uma nova personagem.

Ela própria encontrou a definição do momento. “Eu me sinto uma debutante e uma macaca velha ao mesmo tempo.” O palco é conhecido. A função, não.

Luiz Melodia como ponto de partida

Segundo a atriz, o segundo álbum de Luiz Melodia, lançado em 1976, marcou sua juventude e permaneceu como referência pessoal. A ideia do projeto começou a surgir depois que ela assistiu ao trabalho de Rômulo Fróes em torno de “Transa”, de Caetano Veloso. Parceiros anteriores no teatro, os dois passaram a imaginar algo semelhante com a obra de Melodia.

O resultado não é a reprodução de um disco clássico. Com direção artística e musical de Fróes, direção cênica dividida entre ele e a atriz, e pesquisa e roteiro de Fred Coelho, o espetáculo coloca as canções em diálogo com outros momentos da música brasileira. O repertório reúne Melodia a nomes como Caetano Veloso, Djavan, Novos Baianos, Juçara Marçal, Ana Frango Elétrico, Ava Rocha, Negro Leo e Rodrigo Campos.

Voltar a ser iniciante

A experiência devolveu a ela algo pouco comum para uma artista com mais de 40 anos de carreira, que é a sensação de não dominar completamente o que está fazendo. Malu Galli começou no teatro aos dez anos, no Tablado, e desde então passou por palco, televisão, cinema, direção e produção. Diante deste projeto, voltou a sentir o frio na barriga de uma estreia.

Em vez de tratar essa insegurança como fragilidade, ela fala do entusiasmo de voltar a ocupar território desconhecido. “Eu talvez esteja me alargando como artista”, afirmou.

E depois?

A atriz evita transformar a experiência em declaração de nova carreira. Não há outro espetáculo anunciado, repertório definido nem álbum confirmado. Mas, depois das primeiras apresentações, admitiu a possibilidade de desenvolver outros projetos musicais e mencionou a vontade de gravar canções inéditas. Por enquanto, prefere não definir o próximo passo.

Serviço

Maravilhas Contemporâneas
Com Malu Galli
Direção artística e musical: Rômulo Fróes
Direção cênica: Rômulo Fróes e Malu Galli
Pesquisa e roteiro: Fred Coelho
A partir do álbum homônimo de Luiz Melodia, lançado em 1976
Apresentações já realizadas em Ribeirão Preto, Franca e São Paulo
Novas datas não anunciadas

Fontes

Declarações de Malu Galli em entrevista, sem atribuição de veículo no material consultado.

MúsicaIsabel Branquinha
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