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Depois de décadas de carreira, Arlete Salles faz o primeiro monólogo da vida

Em "Mande Notícias do Mundo de Lá", com texto e direção de Carlos Jardim, a atriz interpreta uma mulher que tem pavor da morte e precisa ir sozinha ao velório da melhor amiga.

Depois de décadas de carreira, Arlete Salles faz o primeiro monólogo da vida
Foto: Leo Aversa

A temporada no Teatro Renaissance começou em 17 de outubro e vai até 20 de dezembro.

O velório está vazio. Ninguém apareceu para se despedir de Rosimere, e é Eulália Eugênia, amiga de décadas e de muitas peripécias, quem se aproxima do caixão para garantir que ela não parta completamente abandonada. O problema é que Eulália tem pavor da morte.

É dessa situação que Arlete Salles extrai o primeiro monólogo de sua carreira. “Mande Notícias do Mundo de Lá”, escrito e dirigido por Carlos Jardim, volta a São Paulo depois de temporadas no Rio de Janeiro e na capital paulista, no Teatro Renaissance, desde 17 de outubro. As sessões são às sextas, às 19h30, aos sábados, às 19h, e aos domingos, às 17h, até 20 de dezembro. Os ingressos custam entre R$ 73 e R$ 147.

“Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco”

A atriz admite que a ideia nunca esteve nos planos. “Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco, falando, falando. Eu achava bonito assistir a outros colegas fazendo isso. Achava muito corajoso”, conta.

Ela aceitou o desafio depois de conhecer o texto a fundo. “Eu senti muitas qualidades e me identifiquei em vários pontos. Você precisa ler mais de uma vez, mais de duas, mais de três, para descobrir as sutilezas, as voltas, as subidas e descidas de um bom monólogo”, explica.

A identificação com a personagem é direta. “Em vários momentos, me identifico com a Eulália. Ele trata da vida de uma mulher com a minha idade. Então falo de muitas coisas que estão presentes na minha vida, que eu conheço, que eu sinto, que eu vivencio diariamente”, diz. E resume a própria visão sobre o assunto: “Envelhecer é um grande desafio, mas é muito pior partir jovem, sem ter aproveitado essa maravilha que é a vida, que é viver.”

O luto que vira comédia

Jornalista com 41 anos de experiência em cobertura factual, Carlos Jardim construiu o texto para explorar a versatilidade da atriz. “Arlete tem um tempo de comédia raro, sabe fazer pausas e entonações que valorizam imensamente o texto. E tem uma emoção genuína, que aflora com facilidade e emociona a todos”, diz. “No texto, abuso das passagens quase bruscas entre o drama e a comédia. E Arlete pula de uma emoção à outra com uma facilidade que impressiona.”

A escolha pelo humor é deliberada. “O envelhecimento traz a inevitável constatação de que o fim pode chegar a qualquer momento. Isso pode gerar angústia ou despertar em nós uma urgência de fazer valer o tempo que nos resta”, afirma. “Acredito sinceramente que o humor é a chave para deixar tudo mais leve, inclusive na maneira de encarar essas limitações.”

Para o diretor, o risco assumido pela atriz é o que define o projeto. “Acho fascinante uma atriz gigante como a Arlete, que não precisa provar nada a ninguém, aceitar se desafiar a essa altura da carreira fazendo seu primeiro monólogo. É se jogar no trapézio sem rede de proteção. Como diretor, tento facilitar esse voo.”

A direção de movimento e a preparação corporal são de Roberta Serrado e Natacha Travassos, com iluminação de Sarah Salgado, figurino de Antônio Rocha e trilha sonora original de Liliane Secco.

Serviço

Mande Notícias do Mundo de Lá Teatro Renaissance, Alameda Santos, 2233, São Paulo
Até 20 de dezembro de 2026 Sextas, às 19h30. Sábados, às 19h. Domingos, às 17h
Ingressos: entre R$ 73 e R$ 147, pelo site sampaingressos.com.br Duração: 70 minutos.
Classificação: 14 anos
Texto e direção: Carlos Jardim. Com Arlete Salles
Direção de movimento e preparação corporal: Roberta Serrado e Natacha Travassos
Iluminação: Sarah Salgado.
Figurino: Antônio Rocha.
Trilha sonora original: Liliane Secco
Direção assistente: Flavia Rinaldi
Realização: Magic Arts

TeatroIsabel Branquinha
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