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Convidado a dirigir, ele abriu mão da peça para que fosse montada por uma mulher

"Depois da Chuva", primeiro texto teatral do filósofo Marco Casanova, estreia em 10 de outubro no Ágora Teatro, com Tatiana De Marca e Clóvis Gonçalves, direção de Bárbara Bruno e temporada até 22 de novembro.

Convidado a dirigir, ele abriu mão da peça para que fosse montada por uma mulher
Foto: Heloisa Bortz

Gonzaga Pedrosa foi convidado para dirigir "Depois da Chuva" e recusou. Avaliou que o texto deveria ser montado com a sensibilidade de uma mulher e indicou a atriz e diretora Bárbara Bruno para a encenação, ficando com a direção de produção. A estreia é neste sábado, 10 de outubro, às 20h, no Ágora Teatro, na Bela Vista, em São Paulo.

O espetáculo é o primeiro texto para teatro do filósofo carioca Marco Casanova, professor titular do Departamento de Filosofia da UERJ e tradutor de Heidegger, Nietzsche e Max Scheler. Em cena, Tatiana De Marca e Clóvis Gonçalves interpretam Lígia e Alberto. A temporada vai até 22 de novembro, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Os ingressos custam R$ 100 e R$ 50 (meia).

Uma frase ouvida na rua detona tudo

Prontos para ir a um casamento, com figurino de festa e tudo, Lígia e Alberto são obrigados a ficar em casa por causa de um temporal. A conversa começa corriqueira e desanda quando vêm à tona feridas não cicatrizadas de uma relação longa e desgastada.

O gatilho é banal. No caminho de volta para casa, Lígia passa por um casal de jovens e escuta a moça dizer uma frase sobre uma traição dentro da própria família. É essa lembrança que revolve o que estava soterrado sob a hipocrisia do casamento. O drama psicológico usa a chuva como metáfora da claustrofobia de um casal cuja relação começa a ruir.

"É aquele casamento que funciona porque as pessoas mal se encontram, pouco se veem, quase não se falam e, quando são obrigadas a ficar juntas em um espaço fechado, os problemas, empurrados por debaixo do tapete, são revelados", diz o autor. Ele descreve Alberto como um homem violento, estereótipo da burguesia hipócrita, e situa o centro da peça na protagonista. "A terrível noite da personagem Lígia é uma oportunidade para encontrar seu caminho em direção a si mesma. Este é o cerne da peça."

Em sua primeira incursão na dramaturgia, Casanova diz não ter apego ao texto. "Quando acabo de escrever, fico com a sensação de que aquilo não é mais meu."

Antonioni e Johnny Alf como referência

O autor partiu de duas referências. O filme "A Noite", de Michelangelo Antonioni, com Monica Vitti, Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni, sobre um casal que não se ama mais e cujos problemas afloram em uma única noite, e a peça "O Manifesto", com Cláudio Corrêa e Castro e Beatriz Segall, que o autor viu há anos e se passa em uma sala de jantar.

Há ainda a bossa nova "Eu e a Brisa", de Johnny Alf, que entra como pano de fundo e tem um trecho citado dentro da peça.

A diretora, de uma família de artistas

Bárbara Bruno tem 54 anos de profissão entre teatro, televisão e cinema. É filha de Paulo Goulart e Nicette Bruno e irmã de Paulo Goulart Filho e Beth Goulart. Dirigiu "O Auto da Compadecida", "O Amor Venceu", "Sábado, Domingo e Segunda", "O Santo Parto", de Lauro César Muniz, e "A Aurora da Minha Vida", de Naum Alves de Souza. Na televisão, atuou em "Paraíso", "Terras do Sem Fim", "O Tempo e o Vento" e "Sítio do Picapau Amarelo".

Ela descreve a concepção como realista e fala da chegada do texto. "Depois da Chuva chegou pra mim como uma garoa mansa e densa que vai se transformando em bruma. Com o tempo, foi tomando forma, corpo, virando chuva que lava a alma", afirma. Sobre o autor, observa que a estreia na dramaturgia vem acompanhada de intuição. "Seu texto tem uma qualidade, a profundeza e a essência das personagens, o que compensa a falta de experiência na dramaturgia."

A montagem reencontra Gonzaga Pedrosa, a quem ela dirigiu em "O Amor Venceu", peça que também tinha Clóvis Gonçalves no elenco. É a primeira vez que trabalha com a figurinista Simone Mina e com Tatiana De Marca.

Tatiana De Marca tem 25 anos de carreira, é formada pela Casa das Artes de Laranjeiras e passou por "Num Lago Dourado" e "A Casa de Bernarda Alba", com direção de Elias Andreato, e por montagens dirigidas por Antônio Abujamra. Clóvis Gonçalves é formado em direção teatral pela ECA-USP e esteve em "Agreste", "Anatomia Woyzeck" e "O Alienista", além de novelas e minisséries.

Serviço

Depois da Chuva Ágora Teatro, Rua Rui Barbosa, 664, Bela Vista, São Paulo
De 10 de outubro a 22 de novembro de 2026 Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 19h
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Classificação: 14 anos Texto: Marco Casanova.
Direção: Bárbara Bruno.
Direção de produção: Gonzaga Pedrosa
Com Tatiana De Marca e Clóvis Gonçalves
Trilha original: maestro Marcelo Amalfi. Cenário: Sylvia Moreira. Figurinos: Simone Mina Iluminação: Wagner Freire.
Caracterização: Beto França
Idealização e produção geral: João Ibaixe Jr. e Jonathan H. Marcantonio
Realização: Iason Cultural

Se você ou alguém que você conhece está em uma situação de violência, a Central de Atendimento à Mulher atende gratuitamente pelo telefone 180, 24 horas por dia.

TeatroIsabel Branquinha

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