Broadway sobe 27% em uma semana e mais da metade do salto vem do preço do ingresso

A semana do Columbus Day rendeu US$ 35,3 milhões com ingresso médio de US$ 142, puxada por estrelas de cinema em prévias e pelo recorde de “Oh, Mary!” no Lyceum; na comparação com 2025, a Broadway ainda vende 10% menos

Plateia e balcões do Lyceum Theatre, em Nova York, em agosto de 2025, durante a temporada de “Oh, Mary!”
Plateia e balcões do Lyceum Theatre, em Nova York, em agosto de 2025, durante a temporada de “Oh, Mary!” — Foto: Epicgenius / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Broadway fechou a semana encerrada em 11 de outubro com US$ 35,29 milhões de bilheteria, 27,25% acima da semana anterior, segundo os números da Broadway League compilados pelo Broadway World e pela Playbill. Foram 248.496 ingressos vendidos em 29 espetáculos, com 94,93% das cadeiras ocupadas. A semana tinha o feriado do Columbus Day, e feriado prolongado enche teatro. Mas o calendário explica só uma parte.

O público cresceu 9,76% em relação à semana anterior. A receita cresceu quase o triplo disso. A diferença está no ingresso médio, que subiu US$ 19,51 em sete dias e chegou a US$ 142,02: a maior parte do dinheiro novo veio do preço, e não de gente nova na plateia. A Playbill resumiu a semana numa frase: “os preços de outono e inverno chegaram oficialmente”. Até o salto de “O Rei Leão”, o maior da semana em dinheiro, com US$ 720 mil a mais, tem explicação de calendário, e não de demanda: na semana anterior o musical havia feito menos sessões.

Olhando um ano para trás, o quadro muda. Na mesma semana de 2025 a Broadway tinha faturado US$ 39,42 milhões; a queda é de 10,46% na receita e de 10,17% no público, com o ingresso médio praticamente igual ao de então. A Broadway de outubro de 2026 cobra o mesmo e vende menos. A pergunta da temporada é se o preço vai continuar cobrindo a plateia que falta.

Os astros em prévias e o recorde de “Oh, Mary!”

Quem puxou a semana foram as estrelas de cinema e TV em peças de temporada curta, o padrão deste outono em Nova York. “Other Desert Cities”, com Julia Louis-Dreyfus, Allison Janney e Ed Harris acima do título, fez US$ 2,16 milhões na segunda semana de prévias, com a casa cheia, ingresso médio de US$ 276,87 e o mais caro a US$ 799; a estreia oficial é 18 de outubro. “860”, o solo de Billy Crystal, rendeu US$ 1,17 milhão e abre em 21. “A Few Good Men”, do Lincoln Center Theater, com Tom Blyth e Bradley Whitford, vendeu tudo nas três primeiras prévias e estreia em 29. No topo, “Hamilton” liderou com US$ 3,09 milhões, o primeiro a passar dos US$ 3 milhões nesta temporada, com mais gente do que cadeira: a ocupação inclui lugares em pé.

O recorde da semana, porém, veio de uma comédia de elenco pequeno. “Oh, Mary!”, escrita por Cole Escola sobre Mary Todd Lincoln, a mulher de Abraham Lincoln, fez US$ 1.592.306 no Lyceum Theatre, o maior valor da história da casa e do próprio espetáculo. Desde a estreia, em 11 de julho de 2024, a peça quebrou o recorde do Lyceum mais de uma dezena de vezes e foi a primeira, em 121 anos do teatro, a passar de US$ 1 milhão numa semana. Escola, que também criou o papel, e o diretor Sam Pinkleton ganharam o Tony em 2025. Depois de Escola, a Mary passou por Maya Rudolph e Meg Stalter, e desde 15 de setembro é de Bowen Yang, do “Saturday Night Live”, em temporada estendida até 17 de janeiro de 2027. O ingresso médio da comédia foi a US$ 222,73, e a receita está 58,3% acima da mesma semana do ano passado. A franquia já tem versão no West End, turnê norte-americana desde setembro e uma captação para a HBO prevista para 2027.

Fora da conta da Broadway League, o Off-Broadway também bateu marca: “Heathers” encerrou a temporada no New World Stages com a maior bilheteria da história daquela casa na semana de despedida, a quinta vez que quebrou a própria marca ali.

E para quem vê de longe

Convertido pela cotação do Banco Central de 13 de outubro, de R$ 5,01 por dólar, o ingresso médio da Broadway custou R$ 711 na semana, e o de “Hamilton”, R$ 1.440. É uma escala que o teatro brasileiro não conhece: o musical de “Percy Jackson”, que estreou em 10 de outubro no Teatro Liberdade, em São Paulo, vende a partir de R$ 60. A diferença não é só de câmbio. Como o FOYER mostrou em “Teatro lotado, conta no vermelho”, o preço de Nova York paga uma capitalização feita antes da primeira sessão, e a conta semanal só fecha quando o ingresso médio sobe nos meses de alta temporada.

Em março de 2027, um pedaço desse mercado chega aqui. “Hadestown”, oito vezes vencedor do Tony e um dos 18 espetáculos que passaram de US$ 1 milhão nesta semana em Nova York, estreia em 4 de março no Teatro Renault, em São Paulo, numa coprodução da T4F com a Caradiboi. Os preços brasileiros ainda não foram anunciados.

O calendário das próximas semanas diz se o salto fica. “Other Desert Cities” estreia em 18 de outubro, “860” em 21, “The Imaginary Invalid” em 22 e “A Few Good Men” em 29, e todos chegam com estrela na marquise. A conta a acompanhar é a média de preço: se ela segurar os US$ 140 sem feriado, o outono achou o seu patamar; se cair, o feriado foi só feriado.

Teatro MusicalPedro Amaral
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