Broadway rende US$ 21 bilhões a Nova York, e o custo das estreias sobe 39%

Primeiro estudo da Broadway League desde 2018-2019 aponta US$ 979 milhões em impostos para a prefeitura; cada estreia da temporada custou, em média, US$ 9,5 milhões

Shubert Alley, passagem entre as ruas 44 e 45 no distrito teatral de Manhattan, com cartazes de espetáculos da Broadway, em outubro de 2024
Shubert Alley, passagem entre as ruas 44 e 45 no distrito teatral de Manhattan, com cartazes de espetáculos da Broadway, em outubro de 2024 — Foto: Jim.henderson / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Broadway movimentou US$ 21 bilhões na economia de Nova York na temporada 2024-2025, segundo relatório que a Broadway League, a associação de produtores e donos de teatro, divulgou em 20 de outubro de 2026. É o primeiro estudo do tipo desde 2018-2019, antes da pandemia. No mesmo documento, a League registra que o custo total de montar as estreias da temporada subiu 39% em seis anos.

O número vai além da bilheteria. O estudo soma o dinheiro gasto em três frentes: o dos produtores para montar e manter os espetáculos, o dos donos de teatro para conservar e reformar as salas e o dos chamados turistas da Broadway, visitantes de fora da cidade que dizem que o teatro pesou muito na decisão de viajar. Depois acrescenta as rodadas seguintes, em que esse dinheiro volta a circular na cidade até sair dela. O gasto do público responde por 81% do impacto. Pela mesma conta, o setor sustenta 114.600 empregos equivalentes a tempo integral, contando também quem atende o visitante fora dos teatros.

Na edição de 2018-2019 do mesmo estudo, o total havia chegado a US$ 14,7 bilhões e 96.900 empregos, segundo a ficha da League. Dividir 21 por 14,7 dá 43% a mais, sem descontar a inflação.

“Nova York é simplesmente inimaginável sem as luzes brilhantes da Broadway”, disse Jason Laks, presidente da League, no comunicado. Na mesma nota, ele afirma que o setor “enfrenta desafios sérios à medida que os custos de produção e as despesas de operação continuam a subir”.

Para onde vai o dinheiro do turista

Fora da bilheteria, os turistas da Broadway gastaram quase US$ 12 bilhões na temporada, sobretudo em hotel, comida e bebida, 22% a mais que em 2018-2019. A bilheteria de 2024-2025, recorde na época segundo a League, foi de US$ 1,89 bilhão. Dividir um valor pelo outro dá 6,3: para cada dólar que a plateia inteira pagou em ingresso, quem viajou por causa do teatro deixou mais de seis no resto da cidade.

Os cofres municipais também entram na conta, com US$ 979 milhões em impostos gerados pela Broadway. Os estrangeiros foram 19% dos turistas da Broadway, mas responderam por 42% do dinheiro que esse grupo levou para a cidade.

O brasileiro não tem número próprio nesses estudos. No relatório demográfico da mesma temporada, publicado em dezembro de 2025, só dois países ganham linha separada: o Canadá, com 3,6% dos ingressos, e o Reino Unido, com 3,3%. O Brasil entra no bloco “México, América Central ou do Sul”, que somou 3,1%. Nas estatísticas de turismo da cidade, o país aparece com nome: 684 mil brasileiros visitaram Nova York em 2025, o quinto maior mercado estrangeiro, segundo a NYC Tourism + Conventions, em dados publicados pela Panrotas em agosto de 2026.

A estreia de US$ 9,5 milhões

Os produtores leem o mesmo relatório pelo lado da despesa. As 44 estreias de 2024-2025 custaram juntas US$ 418 milhões, 39% a mais que as 39 de 2018-2019, e parte da alta vem do número maior de montagens. Dividir o total pelo número de estreias dá US$ 9,5 milhões por espetáculo.

O total de 2018-2019 em dólares não está no comunicado, mas sai do aumento de 39%: cerca de US$ 300 milhões, ou US$ 7,7 milhões por estreia. O custo médio de cada montagem subiu, assim, 23% em seis anos, em dólares correntes.

Manter os espetáculos em cartaz também pesa mais. A operação custou US$ 1,4 bilhão em 2024-2025, mais que em 2018-2019, embora as produções somassem 25 semanas de espetáculo a menos. Montagem e operação juntas, o gasto direto chegou a US$ 1,9 bilhão, 7% acima de seis anos antes.

O risco fica com quem investe. À CNN, em dezembro de 2025, Laks disse que pela regra do setor só um em cada dez espetáculos recupera o investimento.

O preço do ingresso andou bem mais devagar. Pelos números de temporada da League, a bilheteria dividida pelo número de entradas dá US$ 124 em 2018-2019 e US$ 129 em 2024-2025, alta de 4%. Nas semanas de pico o preço salta, como o FOYER mostrou ao analisar a semana do feriado de outubro.

O crédito fiscal do estado

A ajuda pública mais concreta a esse custo sai do governo estadual. O crédito fiscal para produções teatrais da cidade cobre 25% das despesas de montagem elegíveis e foi prorrogado em 2025 até 2027, segundo a Playbill. O orçamento do ano fiscal de 2027, aprovado em 2026, pôs mais US$ 150 milhões no programa, informou o BroadwayWorld. Uma análise do Departamento de Tributação e Finanças do estado, citada pela Playbill, calculou que o crédito devolve 23 centavos em arrecadação para cada dólar concedido, com a ressalva de que o modelo não capta todo o gasto que o teatro puxa em hotéis e restaurantes.

O comunicado não informa quanto a operação custava em 2018-2019 nem que soluções a League vai defender, e as reportagens da Playbill e do Deadline sobre o estudo não trazem reação da prefeitura. O relatório completo, de 45 páginas, é vendido pela entidade.

A temporada seguinte já teve menos estreias. Em 2025-2026, encerrada em 24 de maio, a Broadway abriu 35 produções e faturou US$ 1,91 bilhão, 1% acima do recorde de 2024-2025, segundo a League.

TeatroPedro Amaral
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