Wagner Moura estreia na Netflix em thriller que transforma a própria casa em prisão
Em A Última Casa, ator brasileiro divide o protagonismo com Greta Lee como pai de uma família que acorda sem conseguir atravessar portas ou janelas
Uma casa pode proteger uma família do mundo. Em A Última Casa, ela faz o contrário.
O novo thriller de ficção científica da Netflix estreou nesta sexta-feira, 7 de agosto, com Wagner Moura e Greta Lee como Jason e Ann, pais de dois filhos que descobrem, sem explicação, que estão presos dentro da própria residência. Portas e janelas se tornam intransponíveis enquanto os recursos começam a desaparecer e uma ameaça permanece do lado de fora.
A premissa poderia sustentar uma noite de confinamento. O filme estica esse tempo por anos.
A casa também envelhece
Dirigido por Louis Leterrier, de Truque de Mestre e Lupin, o longa transforma a residência em parte da narrativa. O designer de produção Kevin Jenkins construiu o cenário para envelhecer junto com seus habitantes: eletrodomésticos, brinquedos e outros objetos se deterioram à medida que dias viram semanas e, depois, anos. Moura descreveu o nível de detalhes do set como algo que nunca havia visto.
Leterrier também procurou fugir da aparência excessivamente digital. A primeira metade do filme foi rodada em 35 mm, e a equipe privilegiou efeitos práticos sempre que possível. O diretor cita como referência os filmes de Steven Spielberg e da Amblin, nos quais acontecimentos extraordinários invadiam ambientes familiares e reconhecíveis.
A escolha ajuda a sustentar a principal contradição de A Última Casa: quanto mais comum parece aquela residência, mais perturbador se torna não poder deixá-la.
Wagner Moura segura o confinamento
As primeiras críticas publicadas nesta sexta-feira encontraram justamente no núcleo doméstico a parte mais forte do filme. O Guardian elogia Moura pela segurança com que conduz o protagonista e considera mais eficiente a fase em que a história se concentra na adaptação da família, na escassez e na sobrevivência cotidiana. A avaliação se torna menos entusiasmada quando o suspense avança para explicações mais amplas de ficção científica.
A Netflix apresenta A Última Casa como uma história de sobrevivência física e psicológica. Moura descreve Jason como um pai tentando preservar calma e estabilidade enquanto tudo ao redor deixa de funcionar.
A ameaça pode estar do lado de fora. A ideia mais inquietante está dentro: quanto tempo um lugar continua sendo um lar depois que ninguém mais consegue sair dele?



