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Teatros começam a barrar óculos inteligentes da Meta por medo de gravações clandestinas

Teatros começam a barrar óculos inteligentes da Meta por medo de gravações clandestinas
Imagem: Foyer.Digital, criada com inteligência artificial

Grandes operadores britânicos adotam restrições aos dispositivos durante apresentações e ampliam debate sobre pirataria, privacidade e fiscalização dentro das salas

Identificar alguém gravando ilegalmente um espetáculo costumava ser relativamente simples. Primeiro foram as câmeras. Depois, os celulares erguidos no meio da plateia. Agora, uma câmera pode estar apontada para o palco sem que o espectador tire nada do bolso.

Teatros do Reino Unido começaram a restringir o uso dos óculos inteligentes da Meta durante apresentações por preocupação com gravações não autorizadas. ATG Entertainment e Trafalgar Entertainment, dois dos maiores operadores de salas de espetáculo do país, estão entre os grupos que passaram a adotar regras específicas para esses dispositivos.

Nos óculos da Meta, a câmera fica integrada à armação e permite registrar fotos e vídeos sem que o usuário precise segurar um aparelho diante do rosto. A função é justamente uma das características promovidas pela empresa: registrar momentos sem usar as mãos.

Isso complica uma fiscalização que, até agora, dependia muito de perceber celulares ou câmeras levantados durante a sessão.

A ATG, responsável por dezenas de teatros no Reino Unido e em outros mercados, mantém a proibição de filmagens durante seus espetáculos e pode pedir que espectadores retirem os óculos caso estejam sendo usados durante uma apresentação. A Trafalgar Entertainment também passou a restringir o uso dos dispositivos para gravação dentro de suas casas.

Em casos de registro não autorizado, funcionários podem exigir que a filmagem seja interrompida e que o conteúdo seja apagado.

Quando fica mais difícil saber quem está filmando

Os modelos da Meta possuem uma pequena luz na armação que acende durante a captura de fotos e vídeos. Segundo a empresa, o sistema foi desenvolvido para tornar a gravação perceptível para quem está por perto e deixa de funcionar corretamente caso o indicador seja bloqueado.

A Meta também orienta usuários a respeitar pedidos para não fotografar ou filmar e recomenda que os óculos sejam desligados em determinados ambientes sensíveis.

A preocupação, porém, não ficou restrita aos teatros.

Restaurantes, clubes privados e redes de pubs britânicas também passaram a adotar restrições. Nesta semana, tribunais da Inglaterra e do País de Gales determinaram que determinados óculos inteligentes podem ser recolhidos na entrada e devolvidos somente na saída, justamente pelo risco de gravações clandestinas em audiências e julgamentos.

O avanço do produto tornou a discussão mais urgente. Mais de 7 milhões de unidades dos óculos da Meta foram vendidas mundialmente em 2025, segundo dados divulgados pela imprensa britânica.

No teatro, gravações clandestinas estão longe de ser novidade. Produções da Broadway e do West End convivem há anos com vídeos registrados por espectadores e posteriormente publicados em redes sociais ou compartilhados na internet.

A diferença agora é que identificar quem está filmando pode ser menos óbvio.

Com o celular, o gesto normalmente denuncia a gravação: o aparelho precisa ser levantado e apontado para o palco. Nos óculos, a câmera acompanha naturalmente a direção do olhar.

A preocupação dos produtores vai além da distração para quem está sentado ao redor. Uma gravação não autorizada pode registrar cenários, figurinos, coreografias, músicas, interpretações e outros elementos protegidos por direitos autorais, além de incluir atores e integrantes da plateia sem qualquer consentimento.

Por enquanto, as medidas adotadas pelos teatros britânicos não significam necessariamente que todo espectador usando óculos inteligentes será impedido de entrar. O foco das regras divulgadas está no uso dos dispositivos para fotografar ou filmar durante as apresentações.

O desafio para as equipes de sala é perceber quando isso está acontecendo.

Quem aparece nesta matériaTrafalgar Entertainment
TeatroPedro Amaral

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