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O palco que formou Lázaro Ramos e Edvana Carvalho completa 36 anos em outubro

O palco que formou Lázaro Ramos e Edvana Carvalho completa 36 anos em outubro
Foto: ROBERJAN

Homenageado na terceira edição do Cine SESI, o Bando de Teatro Olodum chega ao aniversário de 17 de outubro com uma influência que se estende do teatro baiano às novelas da Globo e ao cinema nacional.

Criado em Salvador em 1990, o Bando de Teatro Olodum completa 36 anos em 17 de outubro. A trajetória do grupo se confunde com a formação de artistas negros no país e com a valorização de narrativas afro-brasileiras, mas seu alcance ultrapassou os palcos: boa parte de quem passou pela companhia acabou levando essa experiência para o cinema e a televisão.

Esse percurso foi o eixo da homenagem que o grupo recebeu na terceira edição do Cine SESI, realizada em setembro em Salvador e Cachoeira. Com curadoria de Dayse Porto, Rubian Melo e Heraldo de Deus, o festival adotou o tema "Cinema, Memória e Legado" e olhou para o Bando não apenas pelas montagens teatrais, mas pelas carreiras construídas por seus integrantes e ex-integrantes no audiovisual.

De "Ó Paí, Ó" a "Vale Tudo"

Lázaro Ramos integrou a companhia antes de construir carreira nacional como ator, diretor e roteirista. Sua passagem pelo grupo se liga diretamente ao cinema por meio de "Ó Paí, Ó", adaptação de uma peça do Bando para as telas, e mais tarde pela direção de "Medida Provisória". Érico Brás, também no elenco do filme, seguiu caminho parecido na televisão e no cinema.

A circulação entre palco e tela atravessa gerações. Edvana Carvalho, uma das fundadoras, construiu trajetória que também passa pelo audiovisual. Cássia Valle, integrante da companhia e ligada à formação de novos artistas, representa a continuidade dessa experiência, assim como Valdinéia Soriano e Sulivã Bispo.

Entre os mais novos, Lucas Leto passou pelo grupo e chegou a produções de alcance nacional, como o remake de "Renascer" e a nova versão de "Vale Tudo". O caso indica que o legado do Bando segue se renovando, em vez de se restringir às primeiras décadas da companhia.

"É uma alegria muito grande"

"Recebo essa homenagem como um abraço à nossa história, construída por muitas mãos, muitos corpos, muitas vozes e muita resistência", afirma Cássia Valle, atriz, fundadora e membro gestor do colegiado do grupo. "São mais de três décadas fazendo do teatro um lugar de memória, identidade, beleza e transformação. E ver o cinema também celebrar essa trajetória nos emociona profundamente."

Ela define a companhia em três palavras: "O Bando é memória viva, é presença e é futuro."

Um filme sobre o próprio grupo

A relação entre formação, memória e audiovisual também gerou obra sobre a companhia. "Bando, um Filme", dirigido por Lázaro Ramos e Thiago Gomes, revisita a trajetória do grupo a partir de imagens de arquivo e depoimentos de integrantes, colaboradores e outros artistas.

Na programação do Cine SESI, o documentário foi exibido ao lado de "Ó Paí, Ó", em sessões acompanhadas de um painel sobre o legado da companhia e da oficina "Atuação para Cinema", com Merry Batista. Parte dos filmes selecionados segue disponível no canal do projeto no YouTube, pela iniciativa Cine SESI Online.

O festival integra as ações da plataforma Cine Moda Lab, com produção da Movida Produtora de Conteúdo e realização do SESI Cultura.

Serviço

Bando de Teatro Olodum Fundado em Salvador em 1990, completa 36 anos em 17 de outubro de 2026
Homenageado na terceira edição do Cine SESI, realizada em setembro em Salvador e Cachoeira
Curadoria do festival: Dayse Porto, Rubian Melo e Heraldo de Deus Filmes selecionados disponíveis no canal do Cine SESI no YouTube

NotíciaIsabel Branquinha

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