O disco de US$ 2 milhões do Wu-Tang vira documentário da Netflix
“The Disciple” acompanha o fã que ajudou a criar o álbum de edição única e estreia nesta sexta-feira, 16 de outubro
Vendido em 2015 por um valor divulgado de US$ 2 milhões, o disco de edição única do Wu-Tang Clan ganha um documentário sobre sua criação e os negócios que o transformaram em objeto de disputa. “The Disciple: A Wu-Tang Fable” chega à Netflix nesta sexta-feira (16), depois de ser apresentado no Festival de Sundance, em janeiro.
O documentário acompanha Tarik Azzougarh, rapper e produtor neerlandês de origem marroquina conhecido como Cilvaringz. Fã do grupo, ele conseguiu se aproximar de RZA e passou de admirador a colaborador, até se tornar uma das figuras centrais na criação de “Once Upon a Time in Shaolin”.
O projeto levou cerca de seis anos de gravações e resultou em um álbum guardado numa caixa de prata trabalhada à mão. A proposta era tratar a música como uma obra singular, negociada como uma peça de arte. Os termos originais impediam o lançamento comercial até 2103.
Segundo o relato publicado pelo Sundance sobre a estreia do filme, o álbum reúne 31 faixas e participações que vão além dos integrantes do Wu-Tang, incluindo Cher e a atriz Carice van Houten, de “Game of Thrones”. A diretora Joanna Natasegara reconstrói a trajetória de Cilvaringz e as divergências que acompanharam uma iniciativa capaz de aumentar o valor de um disco ao restringir o público que poderia ouvi-lo.
“A ideia de a música ser uma obra de arte”, diz RZA no documentário, em declaração reproduzida pelo festival.
O negócio se tornou ainda mais controverso quando o álbum foi comprado pelo empresário Martin Shkreli. Sua história acabou ligada a uma investigação criminal: condenado por fraude envolvendo investidores, ele teve de entregar bens para cumprir uma ordem de confisco.
Em março de 2018, a Justiça americana incluiu o álbum entre os ativos destinados ao cumprimento de uma ordem de confisco de aproximadamente US$ 7,4 milhões imposta a Shkreli. O Departamento de Justiça confirmou uma nova venda do disco em julho de 2021. Na nota sobre a venda de 2021, o governo não informou o comprador nem o preço, citando uma cláusula de confidencialidade.
O filme volta ao processo de criação por trás dessa sucessão de negócios e disputas. A direção é de Joanna Natasegara, produtora de “Democracia em Vertigem”. Abigail Anketell-Jones, Lauren Dark e a atriz Vanessa Kirby assinam a produção.