Hell's Kitchen, musical de Alicia Keys, vende os lucros futuros para pagar os investidores

O musical de Alicia Keys custou US$ 22 milhões, faturou US$ 115,9 milhões em quase dois anos e fechou em fevereiro com cerca de 60% do capital devolvido; o preço pago pela Ovation não foi divulgado

Alicia Keys na porta de palco do Shubert Theatre, em Nova York, na festa de um ano de “Hell's Kitchen”, em abril de 2025: o musical fechou em fevereiro de 2026 sem devolver o capital.
Alicia Keys na porta de palco do Shubert Theatre, em Nova York, na festa de um ano de “Hell's Kitchen”, em abril de 2025: o musical fechou em fevereiro de 2026 sem devolver o capital. — Foto: Philip Romano / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Ovation Rights comprou os lucros futuros da produção original de Hell's Kitchen na Broadway, o musical de Alicia Keys com libreto de Kristoffer Diaz. O anúncio saiu em 13 de outubro de 2026 no site da empresa e na Playbill: os investidores recebem o investimento inicial de volta agora, em vez de esperar anos por turnê, cinema e montagens futuras. O valor não foi divulgado.

Quem financia um musical na Broadway só recebe quando a bilheteria da semana cobre os custos e sobra para abater a capitalização, o gasto até a estreia. Fechada a temporada, restam fatias de receita que pingam por décadas: turnê, gravação, licenças no exterior e, um dia, o cinema. Foi esse lugar na fila que a Ovation comprou. A venda cobre a parte da companhia nessas receitas desde 1º de agosto de 2026, segundo o Broadway Journal, e os investidores recebem dois pagamentos únicos.

O musical custou US$ 22 milhões para estrear, segundo a AMNY, citando a Deadline. Entre 28 de março de 2024 e 22 de fevereiro de 2026, foram 767 apresentações e 23 prévias no Shubert Theatre. A bilheteria somou US$ 115,9 milhões, pela tabela da Playbill.

Não bastou. Ao fechar, cerca de 60% do capital havia voltado aos investidores, número que Keys deu ao New York Times, reproduzido pelo Broadway Journal; um investidor falou em 55%. A operação custava perto de US$ 1,1 milhão por semana, segundo demonstrativo citado pelo Broadway Journal. No segundo ano, a semana rendia, em geral, menos de US$ 1 milhão. O FOYER explicou em 14 de outubro por que casa cheia não paga a estreia.

Jamie Hendry e Philip Green, fundadores da Ovation, disseram em comunicado reproduzido pela Playbill que “os investidores historicamente tiveram poucas oportunidades de realizar o valor do seu investimento além de esperar distribuições ao longo de muitos anos”. A empresa tem participações em The Phantom of the Opera, Chicago, Chitty Chitty Bang Bang e Starlight Express. Com a venda, a devolução chega a cerca de 90%, escreveu aos investidores o produtor executivo Aaron Lustbader, pelo Broadway Journal.

Mesmo que Hell's Kitchen vire uma propriedade lucrativa, os investidores originais não recuperam o que puseram nem veem lucro, escreve o Broadway Journal. A Playbill diz que não está claro. A Ovation diz que há espaço para um mercado secundário de investimento teatral: paga o investidor antigo e fica com a posição.

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