Hell's Kitchen, musical de Alicia Keys, vende os lucros futuros para pagar os investidores
O musical de Alicia Keys custou US$ 22 milhões, faturou US$ 115,9 milhões em quase dois anos e fechou em fevereiro com cerca de 60% do capital devolvido; o preço pago pela Ovation não foi divulgado
A Ovation Rights comprou os lucros futuros da produção original de Hell's Kitchen na Broadway, o musical de Alicia Keys com libreto de Kristoffer Diaz. O anúncio saiu em 13 de outubro de 2026 no site da empresa e na Playbill: os investidores recebem o investimento inicial de volta agora, em vez de esperar anos por turnê, cinema e montagens futuras. O valor não foi divulgado.
Quem financia um musical na Broadway só recebe quando a bilheteria da semana cobre os custos e sobra para abater a capitalização, o gasto até a estreia. Fechada a temporada, restam fatias de receita que pingam por décadas: turnê, gravação, licenças no exterior e, um dia, o cinema. Foi esse lugar na fila que a Ovation comprou. A venda cobre a parte da companhia nessas receitas desde 1º de agosto de 2026, segundo o Broadway Journal, e os investidores recebem dois pagamentos únicos.
O musical custou US$ 22 milhões para estrear, segundo a AMNY, citando a Deadline. Entre 28 de março de 2024 e 22 de fevereiro de 2026, foram 767 apresentações e 23 prévias no Shubert Theatre. A bilheteria somou US$ 115,9 milhões, pela tabela da Playbill.
Não bastou. Ao fechar, cerca de 60% do capital havia voltado aos investidores, número que Keys deu ao New York Times, reproduzido pelo Broadway Journal; um investidor falou em 55%. A operação custava perto de US$ 1,1 milhão por semana, segundo demonstrativo citado pelo Broadway Journal. No segundo ano, a semana rendia, em geral, menos de US$ 1 milhão. O FOYER explicou em 14 de outubro por que casa cheia não paga a estreia.
Jamie Hendry e Philip Green, fundadores da Ovation, disseram em comunicado reproduzido pela Playbill que “os investidores historicamente tiveram poucas oportunidades de realizar o valor do seu investimento além de esperar distribuições ao longo de muitos anos”. A empresa tem participações em The Phantom of the Opera, Chicago, Chitty Chitty Bang Bang e Starlight Express. Com a venda, a devolução chega a cerca de 90%, escreveu aos investidores o produtor executivo Aaron Lustbader, pelo Broadway Journal.
Mesmo que Hell's Kitchen vire uma propriedade lucrativa, os investidores originais não recuperam o que puseram nem veem lucro, escreve o Broadway Journal. A Playbill diz que não está claro. A Ovation diz que há espaço para um mercado secundário de investimento teatral: paga o investidor antigo e fica com a posição.
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