"Egoísta", peça sobre a nômade de 64 anos que já passou por 60 países, estreia em São Paulo
Com ingressos gratuitos, o solo protagonizado por Ana Marlene fica em cartaz na CAIXA Cultural São Paulo de 3 a 13 de setembro e discute maternidade, etarismo e liberdade a partir da vida real da cearense Josefa Feitosa.
Aposentada, ela viajou por um ano, voltou para casa apenas para doar tudo o que tinha, arrumou a mochila e nunca mais teve endereço fixo. Aos 64 anos, Josefa Feitosa já percorreu mais de 60 países e pintou o cabelo de azul. É a vida dela que sobe ao palco em "Egoísta", espetáculo da Peixe-Mulher que estreia em São Paulo no dia 3 de setembro, na CAIXA Cultural. A temporada vai até 13 de setembro, de quinta a domingo, com ingressos gratuitos distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada sessão, limitados a um por pessoa.
Idealizado e dirigido por Juracy de Oliveira, com texto de Sara Síntique, o solo é protagonizado pela atriz cearense Ana Marlene, indicada ao Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Atriz pelo papel. Longe de ser um diário de bordo, a montagem atravessa a infância e as viagens de Jô, como ela prefere ser chamada, para tratar de maternidade e etarismo em diálogo direto com a plateia. Depois de São Paulo, a peça segue para a CAIXA Cultural Fortaleza.
Trinta anos no sistema carcerário antes da mochila
Nascida em Juazeiro do Norte, Jô é mãe, avó e assistente social de formação. Antes de virar nômade, dedicou quase 30 anos ao sistema carcerário cearense, onde atuou na luta por Direitos Humanos e foi uma das responsáveis por garantir alas exclusivas para pessoas trans nos presídios do estado. Fora do trabalho, criou sozinha três filhos e acompanhou a criação de um neto. É desse contraste que a peça extrai sua pergunta central: para algumas mulheres, a maternidade solo também pode ser uma forma de encarceramento.
Hoje ela se hospeda em hostels, aprendeu a usar aplicativos e redes com viajantes mais jovens e divide as andanças no perfil @joviajando.
"Conhecer a Jô foi uma surpresa, a história de vida dela é inacreditável e por ter sido criado em uma família com uma maioria de mulheres, a coragem dela me atravessou", diz Juracy de Oliveira, que conheceu a personagem por meio da irmã, também nômade. "Essa peça parte de um desejo genuíno de homenagear pessoas enquanto estão vivas, ainda que não sejam famosas."
"Quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda"
Com 46 anos de carreira e fundadora da Trupe Caba de Chegar, o primeiro grupo de teatro de rua de Fortaleza, Ana Marlene estreou seu primeiro solo com a personagem. "A história dela conta também uma parte da minha: uma mulher negra, que saiu de casa pra viver um sonho, que não teve medo de enfrentar o preconceito", afirma a atriz. "Mesmo no alto dos seus 50, 60 anos, quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda, ela fez o contrário, apareceu mais ainda e pintou o cabelo de azul."
O espetáculo já passou por mais de dez cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, cumpriu duas temporadas de casa cheia: a primeira em 2024, no Sesc Tijuca, com ingressos esgotados, e a segunda em maio de 2026, quando circulou por seis cidades da capital e do interior.
Oficina, bate-papos e sessões com Libras
Em 5 de setembro, a própria Jô ministra a oficina gratuita A Fantástica Experiência de Viajar Sozinha, voltada para mulheres a partir de 50 anos. O encontro vai do uso do cartão de crédito a formas de se comunicar e se orientar em viagem, e funciona também como espaço de escuta entre as participantes. As sessões de 4 e 11 de setembro terminam com bate-papo com o público, e as de 6 e 13 de setembro contam com intérprete de Libras.
Serviço
Egoísta CAIXA Cultural São Paulo, Praça da Sé, 111
Dias 5, 6, 10, 11, 12 e 13 de setembro de 2026
Quinta a sábado às 19h, domingo às 18h Duração: 60 minutos. Classificação: livre
Ingressos gratuitos, distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada sessão, limitados a um por pessoa
Patrocínio: CAIXA.
Realização: Peixe-Mulher



