Depois do Rei Lear que rendeu um Prêmio Shell, a Cia. Extemporânea faz "Macbeth" só com drag queens
Dirigida por Ines Bushatsky, com texto e codireção de João Mostazo, a montagem estreou com ingressos esgotados no Festival Mirada e cumpre sua primeira temporada no Sesc Pompeia de 22 de outubro a 15 de novembro.
Alexia Twister, que levou o Shell de melhor ator por “Rei Lear”, lidera um elenco de nove drags.
“Macbeth” ganhou versão em linguagem drag queen pela Cia. Extemporânea. O espetáculo é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, inaugurado por “Rei Lear”, que foi visto por mais de 10 mil pessoas em menos de dois anos, circulou por vários estados e rendeu a Alexia Twister o Prêmio Shell de melhor ator em 2025.
A montagem estreou no Festival Mirada, com todos os ingressos esgotados, e agora faz sua primeira temporada no Sesc Pompeia, de 22 de outubro a 15 de novembro. As sessões são às quintas e sábados, às 20h, às sextas, às 16h e às 20h, e aos domingos, às 18h. Não haverá sessão em 25 de outubro, e está prevista uma sessão extra em 11 de novembro, às 20h. Os ingressos custam R$ 60, R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena).
Além de Alexia Twister, o elenco reúne Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, todas também integrantes da primeira peça do projeto.
“O ser ou não ser, e o ser e não ser”
A diretora conta que a ideia vem de quase uma década atrás. “Já era um sonho antigo fazer Shakespeare com um elenco formado inteiramente por drag queens. Tive a ideia em 2017, durante os ensaios da peça 'A demência dos touros', que contava com a drag Lilith Prexeva no elenco e tinha cenas inspiradas em 'Hamlet'”, diz Ines Bushatsky. “Ali, há quase dez anos, já estávamos explorando muito do que iríamos concretizar futuramente, um espaço de cena onde a drag estabelece diferentes tipos de ambiguidade, entre as performances de gênero, entre o ser ou não ser, e o ser e não ser.”
Segundo ela, nas duas montagens do projeto os papéis de gênero são suspensos e tratados de forma menos estática. “A drag em relação ao personagem shakespeariano faz ainda mais uma torção, repensando figuras tradicionais a partir de escolhas políticas e estéticas trazidas pelo universo LGBTQIAPN+”, afirma.
Gíria elisabetana trocada por poesia brasileira
A adaptação não busca fidelidade literal. “Na adaptação importa menos a fidelidade literal e mais o efeito que o texto causa. Qual efeito Shakespeare conseguia quando seus personagens diziam uma gíria da época?”, questiona a diretora. Para resolver isso, João Mostazo insere referências a versos e expressões da cultura e da literatura brasileira, aproximando o público de inspirações poéticas já conhecidas.
Para o autor da adaptação, a peça exige outro tipo de atenção que o trabalho anterior do projeto. “Apesar da trama relativamente simples, 'Macbeth' é uma peça de extraordinária complexidade. Quase tudo do que as personagens dizem pressupõe uma segunda camada de sentido, e há um ensurdecedor não dito pulsando por baixo de toda a ação”, diz João Mostazo.
Ele estabelece a diferença em relação à montagem anterior. “Ao contrário de 'Rei Lear', que, à maneira de um teatro do mundo, contém todas as paixões humanas, o conjunto de sentimentos que a trama percorre é restrito, e gira em torno de um mesmo eixo emocional: medo, paranoia, traição, desconfiança, ambição. Cada uma dessas emoções, no entanto, é investigada com insuperável profundidade.”
A trama
Ao voltar da guerra, o general Macbeth encontra três bruxas num descampado, que profetizam seu futuro como rei da Escócia. Motivados pela previsão, ele e Lady Macbeth tramam o assassinato do rei Duncan e a usurpação da coroa. O crime leva o casal a ser consumido pela culpa e precipita o reino numa espiral de terror e despotismo, até que Macbeth, tomado pela paranoia ao ver a coroa ameaçada, se converte em tirano.
Dez anos de companhia
Fundada em 2016 e dirigida por Ines Bushatsky e João Mostazo, a Extemporânea tem como horizonte de pesquisa a intersecção entre comédia e violência, com dramaturgia autoral e temas de relevância política e social. Em dez anos, estreou oito espetáculos inéditos, além de um curta e um longa-metragem, entre eles “Roda morta: uma farsa psicótica”, que deu origem ao longa “Rompecabezas”, “Dr. Anti” e “A gente te liga, Laura”.
O projeto Shakespeare in Drag começou em 2023, contemplado pelo Prêmio Zé Renato, e resultou na estreia de “Rei Lear” em 2024, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. Em 2025, a companhia foi contemplada pelo edital de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo com um projeto pelos dez anos do grupo, que incluiu o lançamento, este ano, do livro “Caos e repetição: 10 anos da Cia. Extemporânea”, com textos de mais de 30 autores.
O figurino e o visagismo são de Salomé Abdala, com cenário de Fernando Passetti, iluminação de Nicolas Marchi, trilha sonora e desenho de som de Gabriel Edé, adereços e bonecos de Matias Ivan Arce e perucas de André Góes.
Serviço
Macbeth Sesc Pompeia, Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo De 22 de outubro a 15 de novembro de 2026
Quintas e sábados, às 20h. Sextas, às 16h e às 20h.
Domingos, às 18h Sem sessão em 25 de outubro.
Sessão extra em 11 de novembro, às 20h
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena), em sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo
Duração: 105 minutos.
Classificação: 14 anos.
Capacidade: 300 lugares Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida Interpretação em libras em 23 e 30 de outubro e 6 e 13 de novembro, às sextas, às 20h
Direção e idealização: Ines Bushatsky.
Texto e codireção: João Mostazo
Com Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha
Criação: Cia. Extemporânea
Quem marca passa a ver as nossas matérias em destaque nas Principais Notícias do Google.