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Criador de “Heated Rivalry” critica “cultura tóxica” da liga de hóquei

Jacob Tierney questiona se a NHL acompanha o interesse despertado pelo romance gay e cobra um ambiente mais inclusivo

Connor Storrie e Hudson Williams interpretam os jogadores Ilya Rozanov e Shane Hollander em “Heated Rivalry”.
Connor Storrie e Hudson Williams interpretam os jogadores Ilya Rozanov e Shane Hollander em “Heated Rivalry”. — Crédito: Sabrina Lantos / Bell Media.

O sucesso de “Heated Rivalry” colocou um romance entre jogadores de hóquei no centro da conversa sobre televisão. Para Jacob Tierney, criador da série, isso não significa que o esporte profissional tenha acompanhado a mudança. Em entrevista a Andy Cohen, o roteirista e diretor criticou a NHL, principal liga de hóquei da América do Norte, e disse que ela precisa enfrentar sua “cultura tóxica”.

A reação veio quando Cohen elogiou a maneira como a liga teria aproveitado a atenção despertada pela produção. Tierney interrompeu a avaliação: em sua visão, a NHL ainda tem muito trabalho a fazer para tornar o esporte acolhedor.

“Cabe à NHL convencer as pessoas de que esse é um espaço seguro”, afirmou, em tradução livre.

A cobrança atinge a distância entre conquistar espectadores interessados numa história queer e oferecer condições para que pessoas LGBTQIA+ se sintam incluídas no universo que a inspirou. Tierney argumentou que a liga não está fazendo o necessário para transformar esse interesse em mudanças no ambiente esportivo.

O romance acontece numa liga fictícia

Adaptada dos livros de Rachel Reid, “Heated Rivalry” acompanha Shane Hollander e Ilya Rozanov, interpretados por Hudson Williams e Connor Storrie. Rivais no gelo, os dois mantêm uma relação secreta enquanto constroem suas carreiras.

Os personagens disputam uma competição fictícia, a Major League Hockey. A NHL é a organização real à qual Tierney dirigiu suas críticas.

O contraste entre intimidade e exposição pública atravessa a série: os jogadores podem demonstrar agressividade, ambição e rivalidade diante das câmeras, mas precisam calcular o que revelar sobre seus afetos. A entrevista desloca essa discussão para a responsabilidade das instituições que organizam o esporte.

A preocupação também já havia sido levantada por François Arnaud, intérprete de Scott Hunter. Em participação no programa de Kelly Clarkson, o ator cobrou que o interesse da liga pela produção viesse acompanhado de apoio a jogadores assumidamente LGBTQIA+.

As declarações de Tierney chegam quando a repercussão de “Heated Rivalry” já ultrapassou o público dos romances que deram origem à adaptação. Para seu criador, essa visibilidade aumenta a cobrança sobre o hóquei profissional, sem substituir o trabalho de inclusão.

StreamingPedro Amaral
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