Casados na vida real, Gilvan Azevedo e Mauricio Constantino vivem um casal em "Nós, Ursos"
Adaptação do romance "Éramos Ursos e Não Sabíamos", o espetáculo acompanha dois homens que se apaixonam depois de décadas cumprindo o roteiro esperado. Fica em cartaz no Teatro Commune até 27 de setembro.
Saulo e Rodney são pais de família, profissionais estabelecidos e acostumados a corresponder às expectativas alheias. Quando se conhecem, já carregam uma trajetória feita de escolhas, responsabilidades e silêncios. É esse encontro tardio que move "Nós, Ursos", em cartaz no Teatro Commune, em São Paulo, aos sábados e domingos às 20h, até 27 de setembro. Os ingressos custam R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), pela Sympla.
Dirigido por André Corrêa, o espetáculo adapta o romance "Éramos Ursos e Não Sabíamos", de Gilvan Azevedo, que assina o texto e ainda divide o palco com Mauricio Constantino, seu marido e sócio na Cia. Salor. O livro foi publicado no Brasil e depois lançado em inglês, sob o título "We Were Bears and Didn't Know".
Entre mensagens, viagens e encontros escondidos
A peça acompanha a relação que os dois constroem apesar de tudo ao redor parecer dizer o contrário, com afastamentos, pressões familiares e conflitos internos, até o momento em que o segredo deixa de caber nos bastidores. Misturando humor, drama e poesia, a montagem trata de paternidade, masculinidades, envelhecimento, desejo e reinvenção na vida adulta, com foco em relações LGBTQIA+ maduras, recorte ainda pouco frequente na dramaturgia brasileira.
"O teatro tem a capacidade de tornar visíveis conflitos que, no romance, acontecem dentro dos personagens", afirma Gilvan Azevedo. "A adaptação não surgiu do desejo de ilustrar o livro, mas de explorar aquilo que o palco pode revelar de maneira única."
O diretor optou por uma encenação enxuta. "Buscamos uma encenação simples, focada nos atores e nos vínculos que eles constroem, combinando interpretação, projeções e desenho de som para ampliar a experiência emocional do público", diz André Corrêa, que descreve a peça como uma história sobre pessoas que precisam lidar com caminhos abandonados e possibilidades ainda abertas.
Por que "ursos"
O título remete à cultura bear, surgida nos Estados Unidos nos anos 1980 e difundida no Brasil a partir da década de 1990. Dentro da comunidade LGBTQIA+, o termo identifica homens gays ou bissexuais que valorizam corpos robustos, pelos e barbas, mas também carrega sentidos de acolhimento, autenticidade e pertencimento. A montagem usa a referência para ampliar a conversa sobre diversidade de corpos e afetos, longe da caricatura.
"A peça apresenta dois homens gays, mas não pretende transformar a sexualidade no único eixo de leitura desses personagens. Eles também são filhos, pais, profissionais, amigos", afirma o autor. "Embora a história parta de uma experiência específica, acredito que ela dialoga com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se a vida que construiu corresponde à vida que deseja viver."
Serviço
Nós, Ursos Teatro Commune, São Paulo
Até 27 de setembro de 2026
Sábados e domingos, às 20h
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), pela Sympla
Duração: 70 minutos.
Classificação: 16 anos
Direção: André Corrêa.
Texto e adaptação: Gilvan Azevedo
Elenco: Gilvan Azevedo e Mauricio Constantino.
Realização: Cia Salor



