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Capulanas Cia de Arte Negra encerra circulação de No Baile de Osá Meji no Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Capulanas Cia de Arte Negra encerra circulação de No Baile de Osá Meji no Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Foto: Noelia Nájera/Divulgação

No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração, montagem da Capulanas Cia de Arte Negra dirigida por Olaegbé, cumpre de 5 a 9 de agosto a última etapa de sua circulação no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na Vila Buarque. A entrada é gratuita, com ingressos pela plataforma Sympla. São cinco apresentações, de quarta a sábado às 20h e no domingo às 19h. A peça tem 80 minutos e classificação indicativa de 12 anos.

A peça acompanha Capulanas, mulher negra que gesta um espetáculo dentro do próprio ventre. Quem a orienta é Milagros, médica afro-cubana. A travessia entre consultas, memórias de família e encontros com ancestrais vai reunindo fragmentos de uma história coletiva de mulheres. Maternidade, violência obstétrica, apagamento histórico e resistência cultural são os assuntos da dramaturgia, assinada por Olaegbé ao lado das demais integrantes do grupo. Em cena, Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa, Sol Tereza e Beatriz Oliveira dividem o palco com figuras como Tia Ma Monserrat, Maria Júlia Figueiredo, Eleiê, Exu, Oshum, Oyá e Osá.

O ventre no centro da cena

O título remete ao odu Osá Meji. A direção explicou a escolha no material de divulgação da montagem, distribuído pela assessoria Canal Aberto Comunicação.

"Escolhemos bailar para o odu Osá Meji para lembrar às mulheres negras da importância do cuidado com a própria saúde, especialmente em relação às doenças ligadas ao ventre, ao útero, às pernas e às partes sanguíneas do corpo. Durante a pesquisa, percebemos a necessidade de incentivar essa comunidade a realizar exames e, ao mesmo tempo, fortalecer sua conexão com a ancestralidade", afirma Olaegbé, diretora do espetáculo.

A personagem que conduz o parto condensa esses dois planos. "Ela é uma doutora do SUS e, ao mesmo tempo, um grande pássaro destinado a cuidar daquela barriga", diz Olaegbé sobre Milagros, no mesmo material. "Ao realizar esse parto, Capulanas entra em contato com mulheres que enfrentaram situações como a violência obstétrica ou o diagnóstico precoce da retirada do útero."

Os ventres de madeira que as atrizes vestem em cena vieram de um encontro da companhia com o artista beninense Barthélémy Hountchonou, reconhecido pelo trabalho na escultura de máscaras. O figurino, concebido por Débora Marçal, empilha saiotes feitos com capulanas, o tecido estampado de uso corrente em países africanos. A montagem dialoga com o Gẹ̀lẹ̀dẹ̀, dança ritual do povo iorubá presente na Nigéria, no Benin e no Togo, dedicada às mães ancestrais. Na trilha, referências do Candomblé e da Santeria convivem com guitarras e samplers. A direção musical é de Mauricio Badé. Ele a executa ao vivo com Renato Ihu, Rubi Assunção e Maicou Yuri.

Uma casa, um terreiro e um teatro

A temporada integra o projeto A Casa, o Terreiro e o Teatro, contemplado pela 44ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Os três espaços do título são literais. A circulação começou em 3 de julho na Goma Capulanas, sede da companhia no Jardim São Luís, criada em 2012 como polo de criação e formação na zona sul. Entre 17 e 26 de julho, passou pelo Terreiro Ilê Axê Dará Omo Ofá Bebê, no Balneário Dom Carlos. Termina agora no Kusnet, onde a arquitetura circular aproxima atrizes e espectadores.

Circulação gratuita bancada por fomento público tem sido o caminho de grupos paulistanos com pesquisa longa e pouco acesso ao circuito comercial. Foi assim que a Cia. Os Crespos levou dois espetáculos a seis cidades de São Paulo e que O Território do Samba fez temporada no Espaço Cia. da Revista.

A casa que recebe a última etapa

Na história registrada pela Funarte, que mantém a casa entre seus espaços culturais, o teatro foi fundado em 1955 por José Renato. A partir de 1958, o elenco se especializou em montar dramaturgos brasileiros, entre eles Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Vianinha. Ali estrearam Eles Não Usam Black-Tie, de Guarnieri, e Arena Conta Zumbi, de Guarnieri e Boal com música de Edu Lobo. Em 1977, o prédio foi comprado pelo Serviço Nacional de Teatro, órgão então vinculado ao Ministério da Educação e Cultura e depois incorporado à Funarte. A sala de espetáculos leva o nome de Augusto Boal, e o andar superior abriga um espaço expositivo, a Sala Umberto Magnani. O mesmo palco recebeu a estreia de Killer Queen, da Cia Bromio Atos Culturais.

De Solano Trindade ao Osá Meji

A Capulanas Cia de Arte Negra é um coletivo de teatro negro feminino fundado em 2007 na zona sul de São Paulo por Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Priscila Obaci. Começou com Solano Trindade e suas Negras Poesias, em cartaz de 2007 a 2009. Depois foi ampliando a pesquisa. Veio Pé no Quintal, de 2010, voltado aos territórios periféricos; o intercâmbio Pé no Quintal de Moçambique, em 2012, feito com artistas africanos; e Sangoma, saúde às mulheres negras, que pôs o tema em diálogo com saberes ancestrais e contemporâneos. Vieram depois Sã da Cura ao Gozo, de 2014, e Ialodês, Trilogia da Mulher Negra: uma ficção afrofuturista, de 2016.

Outro endereço da cena negra paulistana fica aberto no mesmo período. Entre 6 e 16 de agosto, As Armas Milagrosas reestreia no Itaú Cultural, também em temporada gratuita, com um grupo de funcionários negros que interrompe o ensaio de uma comédia de Pirandello para narrar a própria história.

Serviço

No Baile de Osá Meji Faço das Tripas o Meu Coração
Teatro de Arena Eugênio Kusnet, Rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, São Paulo
Dias 5, 6, 7, 8 e 9 de agosto de 2026
De quarta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
80 minutos. Classificação indicativa: 12 anos
Gratuito, com ingressos pela plataforma Sympla
Com tradução e interpretação em Libras (Mirian Caxilé, Assessoria em Acessibilidade)

TeatroIsabel Branquinha

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