Após US$ 1 bilhão nas bilheterias, sequência de “Michael” ganha previsão para começar a ser filmada
Lionsgate pretende retomar as gravações entre o fim de 2026 e o início de 2027; parte do próximo filme já foi rodada, mas o avanço da história leva a cinebiografia ao período mais controverso da vida de Michael Jackson
Um bilhão de dólares mudou o tamanho de “Michael” para a Lionsgate.
Depois de a cinebiografia de Michael Jackson ultrapassar a marca nas bilheterias mundiais, o estúdio prepara a continuação da história e trabalha para iniciar uma nova etapa de filmagens entre o fim de 2026 e o começo de 2027. A previsão é lançar o segundo filme no fim de 2027 ou no primeiro semestre de 2028.
O cronograma foi atualizado por Adam Fogelson, presidente do Motion Picture Group da Lionsgate, durante a apresentação mais recente de resultados da companhia.
A sequência já era discutida pelo estúdio desde os primeiros meses de exibição de “Michael”. Agora, a diferença é de escala. O filme dirigido por Antoine Fuqua já soma aproximadamente US$ 1,016 bilhão mundialmente, segundo dados do Box Office Mojo, uma cifra rara mesmo entre grandes produções de Hollywood.
Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, protagoniza o longa no papel do cantor.
Mais do que justificar um novo capítulo, o desempenho comercial transforma uma cinebiografia concebida para contar uma trajetória individual em uma propriedade capaz de sustentar mais de um filme.
E a Lionsgate já tem uma vantagem: parte da sequência está pronta.
Até 30% do próximo filme já foi gravado
Durante a produção de “Michael”, cenas que não chegaram ao corte final foram filmadas e preservadas. Em maio, Fogelson estimou que esse material poderia representar entre 25% e 30% de um segundo longa.
Entre as sequências disponíveis estão grandes números musicais, o que pode reduzir parte dos custos de uma produção que exige recriações de shows, figurinos, coreografias e diferentes fases da carreira do artista.
A economia não é irrelevante.
“Michael” teve orçamento originalmente reportado em mais de US$ 155 milhões e sofreu uma reformulação cara durante a produção. A Variety informou que mudanças no terceiro ato exigiram cerca de US$ 15 milhões em refilmagens.
A existência de material pronto não significa, porém, que a continuação será construída apenas com sobras do primeiro filme. A Lionsgate pretende realizar novas filmagens e ainda precisa definir como organizar uma história que deixou décadas inteiras de fora.
O primeiro longa termina durante a era da turnê “Bad”, no fim dos anos 1980. Álbuns como “Dangerous” e “HIStory”, Neverland, os casamentos, a paternidade e grande parte da vida adulta de Jackson permanecem à frente.
Fogelson já indicou que a narrativa não precisa respeitar rigorosamente uma ordem cronológica.
A história chega ao ponto que o primeiro filme evitou
É justamente aí que a continuação encontra seu maior problema.
O primeiro “Michael” encerra sua narrativa antes de 1993, ano em que surgiram as primeiras acusações públicas de abuso sexual infantil contra Jackson. O segundo filme, caso continue avançando pela vida do cantor, dificilmente terá a mesma possibilidade.
E a questão não é apenas criativa.
A versão inicialmente concebida para “Michael” abordaria o impacto dessas acusações e teria parte de seu terceiro ato dedicada ao caso envolvendo Jordan Chandler. O material foi retirado depois que advogados do espólio de Jackson identificaram uma cláusula em um acordo que impedia a representação ou menção a Chandler em um filme.
A descoberta provocou reescritas, novas filmagens e contribuiu para o adiamento do longa.
Por isso, a continuação não enfrenta somente o desafio habitual de escolher quais episódios cabem em uma cinebiografia. Existe também uma limitação jurídica relacionada a acontecimentos centrais do período que ela pretende alcançar.
Até agora, a Lionsgate não informou de que maneira pretende resolver essa questão.
O estúdio tem motivos comerciais de sobra para tentar. “Michael” não apenas superou US$ 1 bilhão, como confirmou que existe uma audiência global extraordinariamente grande disposta a acompanhar a história do cantor no cinema.
O segundo filme, porém, começa exatamente onde a tarefa fica mais difícil.
Depois de transformar a ascensão de Michael Jackson em um blockbuster bilionário, Hollywood terá de decidir como contar a parte de sua vida em que música, fama, acusações e disputas judiciais passam a dividir o mesmo palco.



