Antes dos grandes teatros: onde nasceram “Hamilton”, “Six” e outros sucessos

Instituições de criação, circuitos alternativos e uma produção universitária participaram da formação de espetáculos que alcançaram o mundo

“Six” no Vaudeville Theatre, em Londres, em registro de agosto de 2025; foto de arquivo.
“Six” no Vaudeville Theatre, em Londres, em registro de agosto de 2025; foto de arquivo. — Crédito: k7hpn / Wikimedia Commons.

“Six” não começou com uma estrela de Hollywood nem com um teatro da Broadway reservado. Toby Marlow e Lucy Moss criaram o musical quando eram estudantes de Cambridge. Em 2017, a obra chegou ao Edinburgh Festival Fringe numa produção universitária.

As seis mulheres de Henrique VIII ganharam a forma de um grupo pop. O formato permitia apresentar suas histórias sem a maquinaria de um grande musical histórico. A trajetória posterior incluiu profissionalização, temporadas em Londres e a chegada à Broadway.

O percurso oferece uma das respostas à pergunta sobre onde surgem os sucessos. Alguns começam longe das salas em que se tornam famosos. Isso não significa que seus primeiros passos sejam desprovidos de trabalho, apoio ou recursos; significa que a escala e a estrutura de origem podem ser diferentes.

“Hamilton”, de Lin-Manuel Miranda, passou pelo Public Theater, em Nova York, antes de estrear na Broadway em 2015. A instituição, que apresentou a primeira produção, tem uma história de desenvolvimento de obras que depois alcançaram o circuito comercial.

Ali, o musical sobre Alexander Hamilton pôde chegar ao público numa etapa anterior à transferência para o Richard Rodgers Theatre. A estreia em uma sala menor não deve ser confundida com improvisação: ela integrou o processo profissional de uma instituição estabelecida.

Décadas antes, “A Chorus Line” também havia encontrado no Public Theater um ponto de partida. O musical dirigido e coreografado por Michael Bennett coloca uma audição no centro da história, dando protagonismo a bailarinos que disputam lugares no conjunto de um espetáculo. Sua temporada na Broadway começou em 1975 e ultrapassou seis mil apresentações.

O sucesso nem sempre exige uma transferência imediata

“A Pequena Loja dos Horrores” estreou em 1982 no circuito Off-Off-Broadway e depois se estabeleceu Off-Broadway. Segundo o histórico da Music Theatre International, Howard Ashman recusou uma transferência inicial para a Broadway por considerar que o espetáculo estava adequado ao lugar em que se apresentava.

A história da planta carnívora conquistou público, outras montagens e um filme musical em 1986. A Broadway só receberia sua própria produção em 2003. O percurso contradiz a noção de que permanecer fora daquele circuito é necessariamente ficar no meio do caminho.

“Matilda”, da Royal Shakespeare Company, fez sua primeira temporada em Stratford-upon-Avon, em 2010, antes de chegar a Londres. O texto de Dennis Kelly e as canções de Tim Minchin transformaram o romance de Roald Dahl numa obra teatral que teria novas montagens e uma adaptação cinematográfica do musical.

Também aqui convém evitar o mito do sucesso criado sem estrutura. A RSC é uma companhia de grande tradição. O que mudou foi o alcance da produção e sua passagem de uma primeira temporada regional para outros mercados.

Esses casos não permitem estabelecer uma receita. Um festival universitário, uma instituição de desenvolvimento e uma companhia consolidada oferecem condições distintas. Todos, porém, mostram que o endereço associado à fama de um espetáculo pode ser apenas uma etapa de sua história.

Teatro MusicalPedro Amaral
Adicionar o FOYER como fonte preferida no Google

Quem marca passa a ver as nossas matérias em destaque nas Principais Notícias do Google.

Gostou desta leitura? A revista do FOYER sai toda quinta, às 7h, para assinantes. Aberta a todos só na sexta. De graça.

Leia também

Com nomes em comum

Mais lidas

na última semana
  1. Em cartaz há 25 anos no mundo, "Naked Boys Singing!" volta a São Paulo em novembro
  2. “Hollywood Arts”, derivada de “Brilhante Victória”, estreia na Netflix e divide a crítica
  3. “Minha Melhor Amiga” passa dos R$ 100 milhões, a maior comédia brasileira desde a pandemia
  4. A peça foi escrita para um ator com Alzheimer interpretar um ator com Alzheimer
  5. Netflix transforma caso de Lizzie Borden em romance lésbico na nova temporada de “Monstro”