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Alice Ripoll leva “Puff” e “Lavagem” ao Sesc Pompeia em duas temporadas de quatro dias

Alice Ripoll leva “Puff” e “Lavagem” ao Sesc Pompeia em duas temporadas de quatro dias
Foto: Manoel Vason/Divulgação Sesc São Paulo

O Sesc Pompeia recebe em agosto dois trabalhos dirigidos pela coreógrafa carioca Alice Ripoll, em temporadas de quatro dias cada. Puff, solo de Hiltinho Fantástico, fica no Espaço Cênico de 13 a 16. Lavagem, criação de grupo da Cia. REC, ocupa o Galpão de 20 a 23. O solo desembarca em São Paulo depois de passar por Paris em fevereiro e por Londres em maio.

A ficha de produção explica a ordem. Puff é uma coprodução do Rotterdam Theater, teve apoio do Festival Actoral e do Câmbio, e sua difusão é feita pela ART HAPPENS. Na Pompeia, o ingresso mais caro do solo sai por R$ 50.

O disfarce como técnica

Puff parte de uma hipótese sobre as danças da diáspora africana: a de que o disfarce serve para transmitir o que foi silenciado. Uma técnica, uma mensagem, uma tradição ou um saber viajam escondidos dentro do próprio movimento. Em cena, isso aparece no trabalho de pés. Os passos são rápidos demais para o olho acompanhar, e partes do corpo se dissociam umas das outras. O efeito é de ilusão. Alguma coisa está sendo escondida de quem assiste.

Hiltinho Fantástico dança passinho, estilo urbano nascido nas favelas do Rio. Ele e Ripoll trabalham juntos há sete anos, nas companhias SUAVE e REC. A palavra que dá título à peça significa um sopro leve e também o instante em que algo desaparece como por mágica.

O solo nasceu longe daqui. Puff estreou na semana final do Edinburgh Festival Fringe de 2025, em seis sessões, numa apresentação do Câmbio. Em 20 e 21 de fevereiro deste ano, esteve na Halle do Carreau du Temple, em Paris, dentro do Festival Everybody. Em 13 e 14 de maio, entrou no Lilian Baylis Studio, do Sadler's Wells, em Londres. O anúncio de programação da casa londrina registrou aquela temporada como a estreia de Ripoll ali. A viagem britânica teve apoio do British Council, do Instituto Guimarães Rosa e do Câmbio, dentro da Temporada de Cultura Brasil-Reino Unido 2025-2026.

O que precisa ser limpo

Lavagem trabalha com baldes, água e sabão. O gesto cotidiano de lavar se desdobra em imagens de êxodo, travessia, ritual, renascimento e resistência. A espuma tinge os corpos e os torna difíceis de distinguir. As bolhas sugerem um mundo de sonho, contra o qual a peça põe a falta de mobilidade social do mundo real.

"O trabalho propõe uma reflexão sobre aquilo que, afinal, precisa ser limpo: os espaços físicos, os rastros da história, as marcas deixadas pela desigualdade ou as hierarquias que organizam a vida em sociedade", diz Alice Ripoll no material de divulgação da temporada.

A obra também mexe na distância entre palco e plateia. O público acompanha de perto, e a proximidade dos corpos ora sugere aperto e claustrofobia, ora acolhimento. São seis intérpretes: Alan Ferreira, Hiltinho Fantástico, Katiany Correia, Rômulo Galvão, Tony Hewerton e Tamires Costa. A ideia original é de Alan Ferreira.

De uma igreja velha na favela ao circuito europeu

A Cia. REC nasceu de uma interrupção. O relato está publicado pelo Kunstenfestivaldesarts, festival de Bruxelas que apresentou o grupo. Em 2007, Ripoll dava aula de dança numa ONG para rapazes de uma favela carioca, todos por volta dos 18 anos e vindos do hip hop. A ONG encerrou o trabalho no meio do processo. Eles decidiram continuar sozinhos, sem patrocínio, ensaiando numa igreja velha da própria favela. Ripoll mostrou o que estavam fazendo a um curador do Festival Panorama, no Rio, que colocou a peça na programação.

O grupo se formou em 2009. Antes disso, Ripoll estudou para ser psicanalista até os 21 anos e mudou de rota, formando-se na Escola Angel Vianna. Em 2014 criou a SUAVE, que aproxima a dança contemporânea do passinho e do funk carioca. O Sadler's Wells lista entre os trabalhos dos dois Cria, aCORdo, Zona Franca e a própria Lavagem. Todos partem das experiências e das memórias dos intérpretes. No circuito paulistano, a dança contemporânea sustenta temporadas como as da São Paulo Companhia de Dança e da Cisne Negro. O Sesc Pompeia já abrigou trabalhos como “Encarnación”.

Somadas, as duas temporadas da Pompeia dão oito dias. É o tempo que São Paulo tem para ver o que Edimburgo, Paris e Londres já viram.

Ingressos e programação

Serviço

Puff

Direção: Alice Ripoll. Criação e performance: Hiltinho Fantástico. Iluminação: Tomás Ribas. Figurino e cenografia: Alice Ripoll e Thais Peixoto.

Local: Sesc Pompeia, Espaço Cênico, Rua Clélia, 93, São Paulo.

Datas: 13 a 16 de agosto. Quinta a sábado, às 19h30. Domingo, às 17h30.

Classificação: 10 anos. Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena do Sesc).

Lavagem

Direção: Alice Ripoll. Ideia original: Alan Ferreira. Intérpretes: Alan Ferreira, Hiltinho Fantástico, Katiany Correia, Rômulo Galvão, Tony Hewerton e Tamires Costa.

Local: Sesc Pompeia, Galpão, Rua Clélia, 93, São Paulo.

Datas: 20 a 23 de agosto. Quinta a sábado, às 19h. Domingo, às 17h.

Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena do Sesc).

Vendas: para Puff, on-line desde 4 de agosto e nas bilheterias desde 5 de agosto, sempre a partir das 17h. Para Lavagem, on-line a partir de 11 de agosto e nas bilheterias a partir de 12 de agosto, também às 17h.

Quem aparece nesta matériaAlice RipollCisne NegroRômulo Galvão
DançaIsabel Branquinha

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