Colombianos Gustavo Miranda e Mauricio Flórez estreiam “Temporalmente Vivos” no Sesc Avenida Paulista
Temporalmente Vivos, criação dos colombianos Gustavo Miranda e Mauricio Flórez radicados no Brasil, estreia na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, no Sesc Avenida Paulista, com temporada até 30 de agosto no espaço Arte I, no 5º andar da unidade (Avenida Paulista, 119). As sessões acontecem de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18h30, com uma apresentação extra na quarta-feira, 26 de agosto, às 20h30. Os ingressos custam R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena do Sesc), com venda online desde 28 de julho e nas bilheterias das unidades a partir de 29 de julho, às 17h.
A peça une teatro e dança para tratar da morte fora do registro do luto: inspirada no realismo mágico latino-americano, ela se organiza como uma colagem de 15 cenas independentes, sem ligação explícita entre elas, que oscilam entre o ordinário e o extraordinário. O material de divulgação descreve a estrutura como um contínuo surgir e desaparecer de imagens, como se alguém trocasse de canal em uma televisão.
Quinze cenas e uma Morte à espreita
Os textos das cenas passam por guerra, extinção, amor, festa, admiração pelo universo vegetal, fanatismo religioso, ciência e memórias do conflito armado na Colômbia, país natal dos dois criadores. Sempre presente e quase invisível, a Morte ronda os cantos do teatro e se infiltra lentamente nas tramas: o personagem é interpretado pelo contrarregra Marcos Yamamoto, que também assina a criação dos objetos cênicos.
"Toda a obra é atravessada por um mesmo sentimento: a alegria de estarmos vivos diante da angústia da finitude. Assim, buscamos estabelecer uma relação afetiva com os espectadores", afirma Gustavo Miranda, responsável pela dramaturgia, no material de divulgação da temporada.
As cenas são construídas como pinturas, com poucos objetos em quadro e um trabalho de luz que explora a profundidade do espaço. "O fundo está sempre na penumbra, enquanto as imagens vão aparecendo e desaparecendo. É a iluminadora Patrícia Savoy quem faz a mágica acontecer", completa Miranda, na mesma declaração.
A trilha, assinada por Talita del Collado, recorre a ritmos presentes na Colômbia, como a cumbia e o bolero, somados a sons ambientes que produzem estranhamento. O figurino de Salomé Abdala foge do naturalismo, com cores escuras (vinho, marrom) e adereços como máscaras, que ajudam na caracterização dos muitos personagens. A produção é da Corpo Rastreado.
Teatro e dança na mesma cena
Miranda e Flórez colaboram há anos, mas Temporalmente Vivos é a primeira vez em que os dois atuam juntos em cena.
"Eu sou mais do teatro enquanto Maurício é da dança. É bem normal colaborarmos nos nossos trabalhos, mas, desta vez, unimos nossas experiências para debater sobre a morte como um objeto de contemplação, de humor e de poesia. É um espetáculo que se debruça sobre a forma como olhamos para a finitude enquanto se faz reverência à vida", diz Gustavo Miranda, no mesmo material.
Coube a Flórez a criação da movimentação. "Minha ideia foi explorar um tipo de gestualidade híbrida, em que movimentos cotidianos e abstratos se misturam para criar uma 'quase fala' que gera fascinação pelas intensidades e tipos de presença que se desenham no corpo", explica o coreógrafo, na divulgação da temporada. Em outra passagem, ele situa a pesquisa da dupla nas cosmovisões indígenas:
"A vida é muito mais do que nos alimentarmos, reproduzirmos e morrermos, como define a ciência. Por isso, fomos procurar significados mais profundos em algumas cosmovisões indígenas. Para os Krenak, por exemplo, a vida é uma correnteza que avança sem parar. Foi isso que quisemos mostrar", afirma Mauricio Flórez.
Quem são os criadores
Gustavo Miranda formou-se mestre em arte dramática em Medellín, em 2002, com pós-graduação em dramaturgia e direção pela Universidade de Antioquia, e vive no Brasil desde 2012. O público paulistano o conhece de frentes variadas: ele é ator da peça Portátil, do Porta dos Fundos, integrou o programa Fora de Hora, da Rede Globo, em 2020, e atuou por anos no espetáculo de improviso Improvável, da Cia. Barbixas de Humor, onde também trabalhou como treinador artístico. Em 2023, recebeu o prêmio de melhor dramaturgo nos Prêmios Platea Medellín.
Mauricio Flórez, dançarino, coreógrafo e preparador corporal formado em dança e pedagogia pela Universidade de Antioquia, também vive no Brasil desde 2012 e integra o núcleo artístico da Key Zetta e Cia. Seu solo Memórias Para se Transformar em Flor (2024), sobre a relação entre corpo humano e corpo vegetal, foi indicado ao Prêmio APCA em duas categorias. Os dois assinam juntos a série virtual Aqui Dentro (2020), indicada ao APCA de 2021.
A cena da Paulista
Com a estreia, o Sesc Avenida Paulista soma mais um título à sequência de montagens que passaram pela unidade nos últimos anos, caso de TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira, do solo Gabri[Elas], dirigido por Malú Bazán, e de Autobiografia do Vermelho, com Bianca Comparato, que estreou ali em fevereiro e agora se transfere para o Teatro YouTube.
A classificação indicativa de Temporalmente Vivos é de 14 anos, e os assentos não têm lugar marcado.
Serviço
Temporalmente Vivos
Concepção, direção e atuação: Gustavo Miranda e Mauricio Flórez. Dramaturgia: Gustavo Miranda.
Local: Sesc Avenida Paulista, espaço Arte I (5º andar), Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo. Telefone: (11) 3170-0800.
Temporada: de 7 a 30 de agosto de 2026.
Horários: quinta a sábado, às 20h30; domingos, às 18h30. Sessão extra na quarta-feira, 26 de agosto, às 20h30.
Classificação indicativa: 14 anos. Assentos sem lugar marcado.
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena), no site e no aplicativo do Sesc e nas bilheterias das unidades.



