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Teatro Foyer

“Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte” estreia na capela do Cemitério do Redentor em São Paulo

“Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte” estreia na capela do Cemitério do Redentor em São Paulo
Imagem: Danilo Apoena

A morte como tabu, experiência íntima e reflexão coletiva está no centro de “Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte”, novo solo da atriz, dramaturga e diretora Bruna Longo, com codireção de Vitor Julian.

O espetáculo estreia em um cenário carregado de simbolismo: a capela do Cemitério do Redentor, no bairro do Sumaré, em São Paulo, com temporada de 12 de setembro a 26 de outubro de 2025, de sexta a domingo, sempre às 19h.

A experiência pessoal transformada em dramaturgia

A peça nasce da vivência da artista com a morte do pai, em 2022, experiência que a levou a questionar a ausência de rituais, a burocratização do luto e o silêncio social em torno da finitude. “Dois dias depois da morte do meu pai, passei a usar o barro desse luto como material para meu trabalho. Meu templo é o teatro, minha liturgia é a pesquisa artística, minha reza é a dramaturgia”, afirma Bruna Longo.

Na encenação, a atriz imagina a própria morte. Já falecida, ela elabora o luto de si mesma, gesto impossível na realidade, mas que serve de motor para discutir a forma como as sociedades capitalistas ocidentais tratam a morte: como algo a ser ocultado, higienizado e rapidamente superado.

Reflexão sobre a finitude e a cultura do luto

O espetáculo questiona o esvaziamento dos ritos fúnebres tradicionais, substituídos por práticas padronizadas, como a crescente indústria das cremações, e critica a visão da medicina que, ao prolongar vidas, transforma hospitais em espaços de enfrentamento contra o inevitável.

Para Bruna, o silenciamento da morte na vida cotidiana também apaga uma dimensão essencial da cultura humana. “Elaborar o luto inaugura quem somos. A morte inspirou os primeiros ritos, a filosofia, a religião, a arte. Não falar da morte não a afasta, apenas a torna mais temerosa.”

Uma obra de arte em diálogo com a ancestralidade

A montagem envolve diversas camadas estéticas e simbólicas: da cenografia e figurinos concebidos pela própria Bruna, com provocações de Kleber Montanheiro, até a presença de um esqueleto de baleia criado por Paul Zanon, além de trilha incidental de L.P. Daniel. O resultado é um mergulho sensorial que transita entre teatro, rito e performance, propondo ao público uma experiência íntima e visceral.

Sinopse

Bruna Longo parte de sua experiência com a morte do pai para elaborar uma dramaturgia na qual imagina a própria morte. Já falecida, ela elabora o luto de si mesma e convida o público a refletir sobre a finitude, o silêncio e o tabu em torno da morte nas sociedades contemporâneas.

Serviço

  • Espetáculo: Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte

  • Temporada: 12 de setembro a 26 de outubro de 2025

  • Sessões: sextas, sábados e domingos, às 19h

  • Local: Capela do Cemitério do Redentor – Av. Dr. Arnaldo, 1105 – Sumaré, São Paulo (SP)

  • Ingressos: R$60 (inteira) | R$30 (meia-entrada)

  • Vendas online: Sympla

  • Duração: 80 minutos

  • Classificação: 12 anos

Lotação: 20 lugares

TeatroIsabel Branquinha

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