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Peça feita de ligações reais a um telefone de apoio LGBTQIAPN+ estreia no Brasil com Igor Cosso

Peça feita de ligações reais a um telefone de apoio LGBTQIAPN+ estreia no Brasil com Igor Cosso
Foto: Moa Almeida

Indicada ao Olivier de melhor peça inédita em 2022, "Cruise: Minha Última Noite na Terra" tem direção de Orlando Caldeira e fica em cartaz no Teatro Glaucio Gill de 10 de outubro a 2 de novembro.

O autor britânico Jack Holden trabalhava como voluntário na Switchboard, central telefônica de apoio à comunidade LGBTQ+ no Reino Unido, quando começou a reunir as histórias que viraram "Cruise". A peça chega ao Brasil em sua primeira montagem nacional, com Igor Cosso no palco e direção de Orlando Caldeira, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana. A estreia é em 10 de outubro, com sessões aos sábados, domingos e segundas, às 20h, até 2 de novembro. Os ingressos custam R$ 70 e R$ 35 (meia).

Indicada ao Laurence Olivier Awards de melhor peça inédita em 2022, a montagem já passou por Reino Unido, África do Sul, Austrália e México.

Uma madrugada inteira ao telefone

Jack é um jovem voluntário de um serviço de apoio telefônico que não sabe muito bem como lidar com as angústias que chegam até ele. Até atender a ligação de Michael, veterano da crise do HIV dos anos 1980. Durante uma longa madrugada, o rapaz é transportado no tempo até o bairro do Soho, descobrindo as dores, os amores, as perdas e a euforia das pistas de dança de uma época em que o diagnóstico de HIV era encarado como sentença de morte.

A conversa provoca uma transformação definitiva na relação de Jack com a própria sexualidade e com a comunidade LGBTQIAPN+. O espetáculo trata ainda de envelhecimento queer e da preservação da memória de uma geração.

A pista de dança como tecnologia de sobrevivência

Para o ator, que também idealizou o projeto e adquiriu os direitos exclusivos para a montagem brasileira, o texto provocou efeito imediato. "Quando li o texto pela primeira vez, tive uma catarse. Entre choro e risadas, só tive uma certeza: eu precisava contar essa história de todo jeito", conta Igor Cosso.

Ele resume o que a peça celebra. "A peça honra uma geração de pessoas LGBTQIAPN+ que viveu, amou, dançou e sobreviveu em meio ao surgimento da House Music da década de 80, e ao terror da epidemia de HIV e aids", diz. "Em meio ao pânico moral, à violência, à negligência e ao luto provocados pela crise, a pista de dança se tornou um lugar onde a dor podia ser transformada em movimento, música e vida."

O diretor vê na montagem uma ponte entre gerações. "A pista de dança era território sagrado, um templo laico onde corpos marginalizados encontravam abrigo e pertencimento", afirma Orlando Caldeira. "Cruise é um convite à reconexão geracional. Mostra aos jovens LGBTQIAPN+ de hoje que sua história não começou ontem e que a alegria da pista sempre foi uma tecnologia de sobrevivência, resistência e luta."

Caldeira foi indicado ao Prêmio Shell de melhor direção em 2024 por "Pelada: A Hora da Gaymada", trabalho que lhe rendeu também o Prêmio PRIO de Humor na mesma categoria. A música original é de Fabio Mondego e Fael Mondego, com cenografia e iluminação de Vino Fragoso e tradução de Rodrigo Nogueira.

Jack Holden se formou na Bristol Old Vic Theatre School e atuou na Royal Shakespeare Company e no West End. "Cruise" foi sua primeira peça. A seguinte, "Kenrex", recebeu seis indicações ao Olivier e rendeu a ele o prêmio de melhor ator.

Serviço

Cruise: Minha Última Noite na Terra Teatro Glaucio Gill, Praça Cardeal Arcoverde, Copacabana, Rio de Janeiro
De 10 de outubro a 2 de novembro de 2026 Sábados, domingos e segundas, às 20h
Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), no site funarj.eleventickets.com e na bilheteria, de segunda a sexta das 16h às 21h, sábados e domingos das 15h às 21h Duração: 75 minutos.
Classificação: 18 anos
Espaço acessível
Texto: Jack Holden.
Tradução: Rodrigo Nogueira.
Direção: Orlando Caldeira
Idealização e atuação: Igor Cosso.
Realização: Cosso Produções

Quem aparece nesta matériaIgor CossoJack Holden
TeatroIsabel Branquinha

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