Manual de sobrevivência das mulheres exaustas transforma sobrecarga feminina em comédia dramática no Rio de Janeiro
Com texto e direção de Juliana Fernandes, espetáculo fica em cartaz no Teatro Cândido Mendes e discute cansaço, saúde mental e a pressão por performance constante
A sobrecarga feminina, o cansaço coletivo e a sensação de precisar dar conta de tudo estão no centro de Manual de sobrevivência das mulheres exaustas, espetáculo em cartaz no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Com texto e direção de Juliana Fernandes, a montagem terá apresentações nos dias 27 e 28 de junho, sempre às 20h.
A peça parte de um ambiente de bastidores, onde um grupo de mulheres se prepara para entrar em cena enquanto lida com crises silenciosas, áudios intermináveis, cobranças emocionais, demandas profissionais e cafés esquecidos no meio da rotina. Entre o real e o ficcional, o espetáculo transforma situações cotidianas em uma comédia dramática sobre os efeitos da exaustão na vida contemporânea.
No palco, Dani de Azeredo, Denise Queiroz, Ingrid Lima, Isa Jales, Jackeline Marins, Joseane Kelly, Juliana Muniz e Taís Zavareze dão vida a personagens atravessadas por pressões reconhecíveis: a necessidade de produzir, cuidar, responder, performar bem nas redes sociais, praticar um autocuidado quase obrigatório e manter a aparência de que tudo está sob controle.
A montagem aposta em cenas fragmentadas, quebras de ritmo e situações absurdamente familiares para provocar identificação no público. O humor aparece como uma ferramenta de aproximação, mas a peça conduz a plateia a uma pergunta incômoda: quem cuida de quem sempre cuida de tudo?
Segundo Juliana Fernandes, Manual de sobrevivência das mulheres exaustas foi concebido como uma tragicomédia sobre a exaustão feminina contemporânea. A diretora observa como o cansaço extremo foi normalizado e, muitas vezes, romantizado, especialmente entre mulheres que acumulam funções e responsabilidades afetivas, profissionais e sociais.
“O público ri, se identifica e, aos poucos, percebe que por trás do humor existe um esgotamento profundo e coletivo. Mais do que falar sobre cansaço, a gente questiona a obrigação de ser forte o tempo inteiro e propõe uma reflexão sobre culpa, sobrecarga emocional, saúde mental e a dificuldade de pedir ajuda”, afirma a diretora.
A escolha do tema nasceu da percepção de que a exaustão se tornou uma presença constante na rotina moderna. Para Juliana, muitas mulheres são levadas a sustentar diferentes papéis ao mesmo tempo, enquanto tentam manter uma imagem de controle diante da vida pessoal, profissional, emocional e estética.
A peça também discute a autocobrança que transforma descanso, falha e vulnerabilidade em sinais de fraqueza. Ao expor essa lógica com ironia e sensibilidade, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os limites humanos em uma sociedade que exige disponibilidade permanente.
Apesar de tratar de temas densos, a condução da montagem aposta na leveza e no humor. A expectativa da equipe é que o público se reconheça nas situações apresentadas em cena e saia do teatro não apenas entretido, mas também provocado a pensar sobre os próprios limites, relações e formas de cuidado.
Serviço
Manual de sobrevivência das mulheres exaustas
Texto e direção: Juliana Fernandes
Gênero: comédia dramática
Datas: 20, 21, 27 e 28 de junho
Dias: sábados e domingos
Horário: 20h
Local: Teatro Cândido Mendes
Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema – Rio de Janeiro/RJ
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: de R$ 35,00 a R$ 100,00
Vendas: Sympla


