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Inter Alia, de mesma autora de Prima Facie, estreia com Drica Moraes no Teatro Vivo

Inter Alia, de mesma autora de Prima Facie, estreia com Drica Moraes no Teatro Vivo
Foto: Robert Schwenck

Inter Alia, texto da dramaturga australiana Suzie Miller, estreiou na última sexta-feira, 31 de julho, no Teatro Vivo, em São Paulo, com Drica Moraes no papel da juíza Jessica, Caco Ciocler e Caio Cesar Passos completando o elenco e com direção de Rodrigo Portella.

A montagem chega ao Brasil um ano depois da estreia mundial em Londres e repete a rota de Prima Facie, peça anterior de Miller que virou fenômeno no país com Débora Falabella.

A idealização e a produção são de Luciano Borges, o mesmo responsável por trazer o texto anterior da autora ao Brasil, com realização da Borges e Fieschi Produções Culturais e patrocínio de Vivo e Prio por meio da Lei Rouanet.

O que a peça conta

Como em Prima Facie, Suzie Miller parte do universo jurídico, território que conhece de dentro: antes de escrever para o teatro, ela trabalhou como advogada. Jessica é uma juíza reconhecida pelo empenho em tornar o sistema judiciário mais humano e acolhedor. Ao lado do marido Michael, também advogado, e do filho adolescente Harry, ela acredita viver uma rotina equilibrada entre carreira e família, até que um acontecimento inesperado derruba essa arquitetura e a obriga a confrontar as próprias convicções sobre justiça e maternidade.

A peça se interessa menos pelo veredicto e mais pelo que a crise revela: a divisão desigual do trabalho doméstico e emocional dentro de casa, a criação dos meninos na era digital e os limites entre a ética pública e a lealdade familiar. Na produção original londrina, o acontecimento que desestrutura a protagonista é a acusação de estupro contra o filho, feita por uma colega depois de uma festa; a juíza que passou a carreira julgando casos de violência sexual se vê, de uma hora para outra, do outro lado do tribunal.

De Rosamund Pike a Drica Moraes

Em Londres, Inter Alia teve estreia mundial no Lyttelton Theatre, sala do National Theatre, em 23 de julho de 2025, com prévias desde o dia 10 daquele mês. A protagonista era Rosamund Pike, que voltava aos palcos depois de 14 anos, no papel da juíza Jessica Parks, sob direção de Justin Martin. A temporada esgotou antes mesmo de os ensaios começarem, e a crítica recebeu bem a montagem: no The Guardian, a resenha de Emma John deu quatro de cinco estrelas. A encenação foi filmada pelo National Theatre Live e exibida em cinemas a partir de setembro de 2025.

O texto seguiu em cartaz em Londres no primeiro semestre de 2026, em temporada limitada no Wyndham's Theatre, no West End, e tem transferência marcada para a Broadway: as apresentações no Music Box Theatre, em Nova York, começam em 10 de novembro de 2026, novamente com Rosamund Pike. A montagem paulistana coloca o público brasileiro diante do texto antes da estreia americana.

A equipe brasileira

A direção é de Rodrigo Portella, nome associado a Tom na Fazenda, montagem de 2017 que lhe rendeu os principais prêmios do teatro brasileiro e projeção internacional. A tradução é de Alexandre Tenório, com dramaturgismo de Bianca Ramoneda. O cenário é assinado por Portella e Mina Quental, o figurino por Karen Brusttolin, a iluminação por Ana Luzia di Simoni e a trilha sonora por Federico Puppi, com direção de movimento de Denise Stutz.

Drica Moraes, que completa 40 anos de carreira, encara o texto como protagonista, no papel que em Londres consagrou o retorno de Pike ao teatro. Caco Ciocler vive Michael, o marido, e Caio Cesar Passos interpreta Harry, o filho do casal.

Depois do fenômeno Prima Facie

A chegada de Inter Alia se apoia no terreno preparado pela peça anterior da autora. A montagem brasileira de Prima Facie, dirigida por Yara de Novaes e protagonizada por Débora Falabella, estreou em 2024, passou por Porto Alegre em temporada recente e segue em turnê pelo país. No primeiro solo da carreira, Falabella recebeu os prêmios Shell, APCA, Arcanjo e APTR, e a produção ultrapassou a marca de 150 mil espectadores, com sessões esgotadas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba.

Nos dois textos, Miller usa o tribunal como lente para discutir responsabilidade, poder e a distância entre a norma e a vida. Em Prima Facie, uma advogada criminalista especializada em defender acusados de crimes sexuais se torna vítima; em Inter Alia, uma juíza comprometida com o combate à violência de gênero vê a suspeita entrar pela porta de casa. São espelhos invertidos do mesmo dilema.

Serviço

Inter Alia.

Teatro Vivo, Avenida Dr. Chucri Zaidan, 2460, Vila Cordeiro, São Paulo.

Sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h, com temporada até 20 de setembro.

Duração: 90 minutos.

Classificação: 12 anos.

Ingressos a R$ 200 (inteira) e R$ 50 (preço popular, em cota promocional ligada ao plano de democratização da Lei Rouanet), na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro, que funciona nos dias de espetáculo.

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