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“Dois Papas”, com Celso Frateschi e Zécarlos Machado, inicia temporada no TUCA

“Dois Papas”, com Celso Frateschi e Zécarlos Machado, inicia temporada no TUCA
Foto: Ale Catan/

Dois Papas começou nova temporada em São Paulo na última sexta-feira, 31 de julho, no TUCA, teatro da PUC-SP, em Perdizes.

Com Celso Frateschi no papel do cardeal argentino Jorge Bergoglio e Zécarlos Machado como o papa Bento XVI. A direção é de Munir Kanaan, o texto é do neozelandês Anthony McCarten e as sessões vão até 27 de setembro, sempre às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.

A mesma dramaturgia deu origem ao filme dirigido por Fernando Meirelles e lançado pela Netflix em 2019, que concorreu ao Oscar, inclusive na categoria de melhor roteiro. Nos palcos, porém, a história chegou antes: a estreia mundial aconteceu em junho de 2019 no Royal & Derngate, em Northampton, na Inglaterra, ainda com o título The Pope, sob direção de James Dacre e com Anton Lesser no papel de Bento XVI. A produção brasileira apresenta a montagem de Munir Kanaan como a primeira encenação internacional do texto.

O que a peça encena

A trama parte do momento em que Bergoglio viaja a Roma decidido a pedir aposentadoria, incomodado com os rumos da Igreja sob Bento XVI. Em vez da autorização que buscava, recebe um convite para uma conversa reservada com o próprio papa, que por sua vez avalia renunciar ao cargo diante das pressões sobre a instituição. O que se segue é um diálogo em que duas leituras opostas do mundo se enfrentam e, aos poucos, se escutam.

Pouco da liturgia entra em cena: a peça se concentra no que acontece quando os dois estão sozinhos. É esse o recorte que o diretor descreve no material de divulgação da montagem:

"Em cena, é como se estivessem quatro papas. Temos em segundo plano o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, que são os papas públicos, conhecidos pelos grandes eventos e cerimônias, vistos pela TV e pela internet. E temos o mais interessante, o que busquei iluminar, a intimidade desses dois homens, aquilo que não vemos", afirma Munir Kanaan.

Ao lado dos protagonistas, as atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman interpretam a irmã Sofia, freira formada pela experiência da ditadura argentina e pela convivência com Bergoglio, e a irmã Brigitta, editora de livros religiosos e confidente de Bento XVI.

Um reencontro depois de quatro décadas

A montagem recoloca no mesmo palco dois atores que dividiram cena pela última vez nos anos 1980, em Santa Joana, de Bernard Shaw, com direção de José Possi Neto. Depois disso, Celso Frateschi e Zécarlos Machado voltaram a trabalhar juntos na televisão, em episódios da série Sessão de Terapia, exibida originalmente pelo GNT.

Para Zécarlos Machado, o interesse do papel está na fragilidade física de um homem que ocupa um cargo de alcance global. "Ele é um homem com suas virtudes e contradições dentro do mundo religioso. Está em um momento de fragilidade física diante desse cargo que exige tanto. Apesar de ser um intelectual, ele tem muito humor, características que vão humanizando essa figura", diz o ator.

Frateschi já havia se aproximado de temas da Igreja em O Grande Inquisidor, adaptação de um trecho de Os Irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, e em Processo de Giordano Bruno, do italiano Mário Moretti. Sobre o texto de McCarten, ele observa que a discussão extrapola o campo religioso. "São visões de mundo completamente diferentes, por mais que ambos sejam da mesma religião. Essa dramaturgia acaba falando de nós nesse exato momento em meio às discussões envolvendo polarização", afirma Frateschi.

Do Sesc ao TUCA, a trajetória da montagem

Dois Papas estreou no Brasil em 2025, nas unidades do Sesc de Guarulhos e de Santo Amaro. Depois, a peça inaugurou a Sala Nobre do Teatro Cultura Artística e passou pelo Itaú Cultural e pelo BTG Pactual Hall, além de cidades do interior paulista como Taubaté, Jundiaí, Araraquara, São José do Rio Preto, Jales, Bauru, Birigui e Sertãozinho, e das capitais Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba.

Neste ano, o espetáculo passou pelo Festival de Curitiba e fez temporada carioca de 12 de junho a 5 de julho no Teatro TotalEnergies, antigo Adolpho Bloch. A montagem já foi vista por mais de 30 mil pessoas.

O currículo inclui o Prêmio Arcanjo de Cultura de melhor drama de 2025 e indicações dos dois protagonistas ao Prêmio APCA de 2025 na categoria de melhor ator. A figura de Papa Francisco já havia chegado aos palcos paulistanos em outras chaves, como em Entre Franciscos, o Santo e o Papa, que imagina um encontro entre o pontífice e São Francisco de Assis.

A cena branca e as projeções

A encenação usa um cenário branco concebido como instalação, assinado por Eric Lenate, que muda de sentido conforme os figurinos, os objetos e as projeções. O videomapping, de André Grynwask e Pri Argoud, insere material documental entre as cenas, e a trilha sonora original é de Dan Maia. A iluminação é de Beto Bruel e o figurino, de Carol Roz. A tradução do texto para o português é de Rui Xavier, e a direção assistente é de Gustavo Trestini. Rafa Steinhauser, que idealizou o projeto ao lado de Kanaan, aparece em participação em vídeo.

A temporada ocupa a sala principal do TUCA, com 672 lugares, no mesmo endereço da Rua Monte Alegre onde já passaram montagens como Misery, de Stephen King, com Marcello Airoldi e Mel Lisboa.

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Serviço

Dois Papas

Texto: Anthony McCarten. Tradução: Rui Xavier. Direção: Munir Kanaan.

Elenco: Celso Frateschi (cardeal Bergoglio), Zécarlos Machado (papa Bento XVI), Carol Godoy (irmã Sofia) e Eliana Guttman (irmã Brigitta). Participação em vídeo: Rafa Steinhauser.

Local: TUCA, Teatro da PUC-SP, Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo.

Temporada: de 31 de julho a 27 de setembro de 2026.

Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h.

Duração: 110 minutos. Indicação: 14 anos.

Ingressos: R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia-entrada). Estudantes, professores e funcionários da PUC-SP pagam R$ 20, com compra apenas na bilheteria.

Vendas: pela Sympla e na bilheteria do TUCA, de terça a sábado, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14h às 17h. Central de vendas: (11) 4003-1212.

Capacidade da sala: 672 lugares. Local acessível para cadeirantes.

TeatroIsabel Branquinha

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