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Burlesque adia turnê pela segunda vez e amplia incerteza para artistas e técnicos

Burlesque adia turnê pela segunda vez e amplia incerteza para artistas e técnicos
Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial para o Foyer. A cena não retrata o elenco nem os bastidores reais da produção.

Musical que tem Christina Aguilera como produtora executiva perdeu a abertura em Woking, adiou a estreia em Sunderland e transferiu a temporada de Londres para 2027

Burlesque the Musical deveria estar em cartaz nesta quinta-feira, 6 de agosto. Não está.

A primeira apresentação da turnê britânica agora aparece marcada para 13 de agosto, no Sunderland Empire. É a terceira data anunciada para a abertura em menos de um mês. O espetáculo começaria em 25 de julho, em Woking. Essa temporada foi transferida para novembro, e Sunderland passou a ser anunciada como a primeira cidade da turnê, inicialmente a partir de 6 de agosto. A venda atual começa uma semana depois.

Três datas para uma estreia que ainda não aconteceu.

A produção atribuiu a primeira mudança à necessidade de concluir preparações técnicas de um espetáculo de grande escala. O segundo adiamento, divulgado já na semana em que a companhia deveria começar a se apresentar em Sunderland, voltou a ser relacionado a exigências técnicas.

No calendário, a nova alteração corresponde a sete dias.

Para quem reservou meses para trabalhar na produção, a conta é outra.

O trabalho que desaparece junto com a sessão

Artistas, técnicos e profissionais dos bastidores organizam a vida antes de uma estreia. Recusam outros contratos, planejam deslocamentos e contam com uma renda vinculada a datas que já ocupam suas agendas.

Quando uma apresentação é transferida, o público pode trocar o ingresso ou pedir reembolso. O trabalhador não consegue vender novamente o tempo que manteve disponível.

Antes mesmo do novo atraso em Sunderland, Bectu e Equity já apoiavam integrantes da companhia que enfrentavam dificuldades financeiras. Phillippa Childs, dirigente da Bectu, afirmou que a transferência da temporada londrina faria freelancers perderem meses de renda esperada. O sindicato também cobrou detalhes sobre a promessa da produção de oferecer trabalho alternativo quando fosse possível.

O musical deveria iniciar uma nova temporada em Londres em 12 de setembro, no Arts at Marble Arch, e permanecer em cartaz até 31 de janeiro de 2027. O compromisso foi adiado para o próximo ano, ainda sem novo teatro ou datas definidos.

Os produtores insistem que se trata de um adiamento, não de um cancelamento. Disseram estar procurando uma nova casa para o espetáculo e apresentaram a decisão como estratégica, necessária para que a montagem retorne a Londres com a estrutura sonora e visual planejada.

Quase 90 mil ingressos vendidos

A dimensão comercial do projeto torna a situação mais difícil de explicar.

Segundo números divulgados pelos próprios produtores, a turnê havia vendido quase 90 mil ingressos e movimentado perto de £4 milhões em bilheteria antecipada. A informação foi anunciada quando a produção transferiu Woking para novembro e ainda prometia começar em Sunderland no dia 6 de agosto.

Menos de duas semanas depois, o cronograma mudou novamente.

Vender milhares de ingressos não significa que uma produção esteja pronta para entrar em cena. Também não garante que a renda antecipada chegue aos profissionais afetados quando as apresentações deixam de acontecer.

É essa a contradição no centro da crise. O dinheiro já passou pela bilheteria. O espetáculo, até agora, não passou pela estreia.

Uma crise que começou antes da turnê

Os atrasos encontram um musical que já atravessava disputas nos bastidores.

Todrick Hall dirigiu, coreografou, atuou e escreveu canções para a temporada de 2025 no Savoy Theatre. Depois de deixar a equipe criativa, afirmou ao The Times ter mais de £100 mil a receber em royalties e descreveu a experiência na produção como marcada por ansiedade, privação de sono e estresse.

Os produtores contestaram as acusações. Disseram que Hall foi pago pelos trabalhos de direção e atuação e recebeu um adiantamento relacionado às músicas. Segundo a versão apresentada pela produção, permanece em discussão o contrato referente a uma canção.

A reportagem do jornal britânico também reuniu relatos de antigos integrantes sobre exaustão e condições de trabalho. Os responsáveis pelo musical afirmaram que não haviam recebido formalmente do Equity as reclamações citadas. Hall, por sua vez, disse não desejar o fracasso da montagem e chamou atenção para os profissionais que reorganizaram a vida em torno de uma temporada incerta.

A companhia que ainda espera estrear

A turnê é liderada por Faye Brookes como Tess Richarde, personagem interpretada por Cher no filme de 2010. Gracie O’Brien, em sua estreia profissional, vive Ali Rose. Ryan Carter, Davide Fienauri, Tyler Davis e Vanessa Ela Young também estão no elenco.

Racky Plews assume a direção, com coreografia de Robin Antin e Aaron Renfree. Steven Antin, que escreveu e dirigiu o filme, assina o texto teatral e atua como produtor e diretor criativo.

Christina Aguilera não participa do elenco. Ela atua como produtora executiva da adaptação e assina parte das músicas, que dividem a trilha com composições de Sia, Diane Warren, Jess Folley, Todrick Hall e Steven Antin.

A primeira apresentação continua marcada para 13 de agosto.

Para o público, falta uma semana.

Para quem esperava começar a trabalhar em 25 de julho, a temporada já consumiu tempo, dinheiro e oportunidades que nenhuma nova data consegue devolver.

TeatroRedação Foyer

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