"Annie" volta à Broadway em 2027 sob direção de Sam Pinkleton, vencedor do Tony por "Oh, Mary!"
O musical que completa 50 anos ganha novo revival no outono americano de 2027. Teatro, datas e elenco ainda não foram anunciados.
O diretor que transformou Mary Todd Lincoln em uma alcoólatra obcecada por cabaré vai assumir a órfã mais otimista do teatro musical. Sam Pinkleton, vencedor do Tony de melhor direção de peça em 2025 por "Oh, Mary!", comandará o novo revival de "Annie" na Broadway, previsto para o outono americano de 2027, ano em que o espetáculo completa cinco décadas. A produção ainda não anunciou teatro, datas específicas nem elenco.
A combinação sugere reinvenção radical, mas o próprio diretor aponta outro caminho. Pinkleton já declarou que "Annie" é seu musical favorito e descreve a obra como uma comédia musical perfeitamente construída. A proposta anunciada é partir desse afeto para encontrar uma nova perspectiva teatral, sem abandonar o otimismo que sustentou o espetáculo por gerações.
De tira de jornal a sete prêmios Tony
Com música de Charles Strouse, letras de Martin Charnin e libreto de Thomas Meehan, "Annie" nasceu da tira "Little Orphan Annie", criada por Harold Gray em 1924. Meehan levou a personagem para a Nova York de 1933, em plena Grande Depressão: Annie vive em um orfanato comandado pela abusiva Miss Hannigan até ser escolhida para passar o Natal na mansão do bilionário Oliver Warbucks.
Depois de uma montagem no Goodspeed Opera House e de uma temporada em Washington, o musical chegou ao Alvin Theatre em 21 de abril de 1977, com Andrea McArdle no papel-título e Dorothy Loudon como Miss Hannigan. Foram 11 indicações ao Tony e sete prêmios, incluindo melhor musical, trilha original, libreto e atriz para Loudon. A temporada durou quase seis anos e 2.377 apresentações, até janeiro de 1983. Vieram depois filmes, montagens internacionais e dois revivals na Broadway, em 1997 e 2012.
Menos açucarado do que a fama sugere
Cinco décadas de vestidos vermelhos e crianças cantando "Tomorrow" consolidaram a peça como símbolo de otimismo. A história, porém, se passa em circunstâncias nada otimistas: uma criança abandonada sob os cuidados de uma mulher abusiva, em um país marcado por pobreza, desemprego e pelos assentamentos conhecidos como Hoovervilles. O presidente Franklin D. Roosevelt aparece como personagem e o New Deal integra a narrativa. "Tomorrow" funciona justamente porque o presente da trama não funciona.
Um coreógrafo por trás do fenômeno "Oh, Mary!"
A escolha de Pinkleton parece excêntrica se olhada apenas pelos trabalhos recentes. Além de "Oh, Mary!", texto de Cole Escola que virou fenômeno da Broadway, ele dirigiu o revival de "The Rocky Horror Show". Mas boa parte de sua carreira foi construída como coreógrafo e diretor de movimento, em produções como "Natasha, Pierre & The Great Comet of 1812", "Amélie", "Soft Power" e "Here We Are", último musical de Stephen Sondheim. O traço comum é o interesse por espetáculos em que o movimento e a própria condição de estar fazendo teatro ficam visíveis.
Ele herda uma obra carregada de imagens anteriores: McArdle e Loudon na Broadway, Aileen Quinn, Albert Finney e Carol Burnett no filme de 1982, além dos revivals seguintes. A pergunta que o novo revival parece levantar não é como consertar "Annie", e sim como demonstrar por que ela ainda funciona.



